Resenhas

domingo, 1 de fevereiro de 2015

♪ Letra e música ♫ Cinquenta tons de cinza


Hoje é dia de música, bebê! E como finalmente chegamos em fevereiro, na reta final da estreia do tão esperando filme Cinquenta Tons de Cinza, nada como curtir a trilha sonora maravilhosa desse primeiro livro da trilogia de E L James.

Quem está acompanhando as notícias do filme, já está sabendo que a trilha sonora será diferente da do livro. Não sei se alguma vai ser mantida, eu espero, de coração, que pelo menos Thomas Tallis esteja, porque o filme sem AQUELA cena, não vai ter graça, não pra mim, particularmente. (Nem eu levei a sério isso, claro que eu vou amar o filme, mas é que eu quero MUITO aquela cena!) 

Então, estão preparadas para relembrar os momentos musicais de Christian e Ana? Vamos lá!
- O que estamos ouvindo?
- É o "Dueto das Flores", de Delibes, da ópera Lakmé. Gosta?
- Christian, é maravilhoso.
- É mesmo, não é? - Ele sorri, olhando para mim.
E, por um instante fugaz, aparenta a idade que tem: jovem, descontraído e lindo de morrer. Será que a chave para desvendá-lo é essa? Música? Fico ouvindo as vozes angelicais me provocando e me seduzindo.
- Posso ouvir de novo?
- Claro. - Christian aperta um botão, e a música volta a me acariciar. É como um afago suave, lento, doce e seguro em meus ouvidos.
(capítulo 6, páginas 75)



Ele aperta um botão e começa a tocar Kings of Leon. Humm... isso eu conheço. "Sex on fire". Muito apropriado. A música é interrompida pelo toque de um celular se sobrepondo ao som dos auto-falantes. Christian aperta um botão no volante.
- Grey - diz secamente.
Ele é muito rude.
(capítulo 6, página 76)



Quando acordo, ainda está escuro. Não tenho ideia de quanto tempo dormi. Espreguiço-me embaixo do edredom, e me sinto dolorida, deliciosamente dolorida. Christian não está por perto. Sento-me na cama, observando a silhueta da cidade diante de mim. Há menos luzes acesas nos arranha-céus, e a aurora começa a se anunciar no leste. Ouço música. As notas cadenciadas do piano, um lamento triste e doce. Bach, acho eu, mas não tenho certeza.
Enrolo-me no edredom e vou de mansinho para o salão. Christian está ao piano, completamente absorto na melodia. Tem uma expressão triste e desolada, como a música.
(capítulo 8, página 112)



Há um fogão de primeiríssima linha. Acho que já peguei a manha dele. Preciso de algum lugar para manter as panquecas aquecidas, e então começo com o bacon. Amy Studt está cantando no meu ouvido sobre os desajustados. Essa canção costuma significar muito para mim. Porque sou uma desajustada. Nunca me encaixei em lugar algum e agora... Tenho uma proposta indecente do Rei dos Desajustados para considerar. Por que ele é assim? Natureza ou crianção? Isso é muito diferente de tudo que conheço.
(capítulo 9, página 117)



- Então, que tipo de carro é esse?
- É um Audi R8 Spyder. Está um dia lindo, podemos baixar a capota. Tem um boné aí dentro. - ele aponta para o porta-luvas. - Na verdade, deve ter dois. E óculos escuros também, se você quiser.
Ele dá a partida, e o motor ronca atrás de nós. Coloca a bolsa de couro no espaço atrás dos assentos, aperta um botão, e o teto se retrai lentamente. Ao apertar outro botão, Bruce Springsteen nos envolve.
- Não dá para não gostar do Bruce.
Ele sorri para mim, tira o carro da vaga e sobe a rampa íngreme, onde para, esperando a cancela abrir.
(capítulo 10, página 137)



Kate está descendo do carro quando saio de casa. Ela quase deixa cair as sacolas de compras quando me vê. Ana Steele de tênis de corrida. Aceno e não paro para a inquisição. Preciso muito ficar sozinha. Com Snow Patrol aos berros em meus ouvidos, parto no crepúsculo azulado.
Atravesso o parque. O que vou fazer? Eu o quero, mas nos termos dele? Simplesmente não sei.
(capítulo 12, página 169)



Ele me beija de novo com paixão, depois me solta bruscamente, pega minha mão e me leva para a cozinha. Estou atordoada. Num momento estamos brincando e no outro... abano meu rosto quente. Ele só pensa em sexo, e neste momento preciso recuperar o equilíbrio e comer alguma coisa. A ária continua tocando ao fundo.
- Que música é essa?
- Villa-Lobos, uma ária das Bachianas Brasileiras. Ótima, não é?
- É - murmuro, inteiramente de acordo.
(capítulo 18, página 285)



Christian está parado junto à janela panorâmica, usando a calça de flanela cinza que eu adoro, aquela que cai nos quadris daquele jeito incrivelmente sensual, e, claro, camisa de linho branca. Será que ele não tem nenhuma de outra cor? Saindo das caixas de som, a voz macia de Frank Sinatra. Christian se vira e sorri quando entro. Ele me olha com expectativa.
- Oi - digo baixinho, e meu sorriso enigmático encontra o dele.
- Oi - diz ele. - Como se sente? - pergunta com um olhar divertido.
- Bem, obrigada. E você?
- Me sinto superbem, Srta. Steele.
Ele está louco para que eu diga alguma coisa.
- Sinatra. Nunca imaginei que fosse fã dele.
Ele ergue as sobrancelhas para mim, o olhar curioso.
- Gosto eclético, Srta. Steele - murmura, e vem andando na minha direção feito uma pantera até parar na minha frente. Seu olhar é tão intenso que me tira o fôlego.
Sinatra começa a cantar... uma cantão antiga, uma das preferidas de Ray, "Witchcraft". Christian passa devagarinho os dedos no meu rosto, e imediatamente sinto o efeito lá embaixo.
- Dance comigo - diz, a voz rouca.
Ele tira o controle remoto do bolso, aumenta o volume e me estende a mão, aquele olhar cinzento cheio de promessa, desejo e humor. Ele é totalmente sedutor, e estou enfeitiçada.
(capítulo 19, página 298)



Ele programa o GPS, depois pressiona um botão no volante, e uma música clássica preenche o carro.
- O que é isso? - pergunto quando o som doce de cem cordas de violinos nos assalta.
- É de La Traviata. Uma ópera de Verdi.
Nossa... é lindo.
- La Traviata? Já ouvi falar. Não lembro onde. O que significa?
Christian me olha e dá um sorriso.
- Bem, literalmente, "a mulher perdida". É baseada no livro de Alexandre Dumas, A dama das camélias.
- Ah. Já li.
- Achei que talvez já tivesse lido.
- A cortesã condenada. - Remexo-me desconfortável no assento de couro macio. Será que ele está tentando me dizer algo? - Humm, é uma história deprimente - murmuro.
(capítulo 24, página 397)



O iPod de Christian Grey, isso deve ser interessante. Rolo a tela e encontro a canção perfeita. Aperto play. Eu não o imaginaria sendo fã de Britney. A batida techno club-mix nos assalta, e Christian abaixa o volume. Talvez seja muito cedo para isso: Britney no máximo da sua sensualidade.
- Toxic, hein?
Christian sorri.
- Não sei o que você quer dizer - faço-me de inocente.
Ele abaixa mais um pouco a música, e, no íntimo, estou me abraçando. Minha deusa interior está em pé no pódio esperando sua medalha de ouro. Ele abaixou a música. Vitória!
- Eu não botei essa música no meu iPod - diz afinal, e acelera, fazendo com que eu fique colada no banco enquanto o carro corre na autoestrada.
O quê? Ele sabe o que está fazendo, o filho da mãe. Quem botou? E tenho que escutar Britney cantando. Quem... quem?
(capítulo 24, página 397)



A música termina e o iPod passa para Damien Rice cantando desolado. Quem? Quem? Olho pela janela, o estômago revirado. Quem?
- Foi a Leila - responde ele aos meus pensamentos. Como ele faz isso?
- Leila?
- Uma ex, que botou a música no meu iPod.
Fico perplexa, tendo como música de fundo as modulações de Damien. Uma ex... ex-submissa? Uma ex...
- Uma das quinze? - pergunto.
- Sim.
(capítulo 24, página 397)



- Poderia pôr uma música, por favor?
- Claro, madame. O que gostaria de ouvir?
- Algo relaxante.
Vejo um sorriso brincar nos lábios de Taylor quando nossos olhos tornam a se encontrar rapidamente no espelho.
- Sim, madame.
Ele aperta uns botões no volante, e os acordes suaves de Canon de Pachelbel preenchem o espaço entre nós. Ah, sim... é disso que preciso.
- Obrigada. - Recosto-me enquanto seguimos em uma velocidade constante pela Interestadual 5 até Seattle.
(capítulo 25, página 425)



- Levante a cabeça de novo - ordena.
Obedeço, e ele me arrasta para baixo, de modo que fico com os braços abertos e quase forçando as algemas. Caramba, não dá para mexer os braços. Um estremecimento de inquietação combinado com um entusiasmo tentador percorre meu corpo, deixando-me mais molhada. Gemo. Abrindo minhas pernas, ele algema primeiro meu tornozelo direito, depois o esquerdo, de modo que estou paralisada, pernas e braços abertos, e totalmente vulnerável a ele. É muito aflitivo eu não poder vê-lo. Esforço-me para ouvir... o que ele está fazendo? E não escuto nada, só minha respiração e as batidas do meu coração enquanto o sangue me lateja furiosamente nos tímpanos.
Bruscamente, o chiado do iPod se transforma em música. De dentro da minha cabeça, uma voz angélica canta sem acompanhamento uma longa nota doce, e quase imediatamente uma outra voz se junta a ele, e depois mais vozes - Caramba, um coro celestial - cantando a cappella em minha cabeça, um hinário antiquíssimo. O que é isso meu Deus? Nunca ouvi nada parecido. Algo quase insuportavelmente macio roça meu pescoço, descendo languidamente por ele, devagarinho pelo peito, nos meus seios, acariciando-me... puxando meus mamilos, é muito macio, passa roçando. É muito inesperado. É de pele! Uma luva de pele?
Christian passa a mão, sem pressa e com determinação, na minha barriga, rodeando meu umbigo, depois de um lado do quadril ao outro, e tento prever onde ele vai em seguida... mas a música está em minha cabeça... me transportando...
(capítulo 25, página 435)




Envolto na escuridão, Christian toca sentado numa bolha de luz, e seu cabelo brilha com reflexos acobreados. Parece nu, embora eu saiba que está com a calça do pijama. Está concentrado, tocando lindamente, absorto na melancolia da música. Hesito, observando-o da penumbra, sem querer interrompê-lo. Quero abraçá-lo. Ele parece perdido, triste até, e dolorosamente só - ou talvez seja apenas a música, impregnada de uma tristeza muito pungente. Ele termina a peça, para por uma fração de segundo, depois repete-a. Vou me encaminhando com cautela para ele, como uma mariposa atraída pela chama... a ideia me faz sorrir. Ele ergue os olhos para mim e franze a testa antes de tornar o olhar para as mãos.
Ah, merda, será que ele está puto pelo fato de eu o estar perturbando?
- Você devia estar dormindo - censura num tom afável.
Dá para ver que ele está preocupado com alguma coisa.
- Você também - retruco num tom não tão afável.
Ele torna a erguer os olhos, esboçando um sorriso.
- Está me repreendendo, Srta. Steele?
- Estou sim, Sr. Grey.
- Bem, não consigo dormir.
Ele torna a franzir a testa e vejo em seu rosto um sinal de irritação ou raiva. De mim? Com certeza, não.
Ignoro sua expressão e, numa atitude muito corajosa, sento-me a seu lado no banco do piano, encostando a cabeça em seus ombros nus para observar seus dedos ágeis e habilidosos acariciarem as teclas. Ele faz uma pausa quase imperceptível e depois continua a peça até o fim.
- O que está tocando? - pergunto baixinho.
- Chopin. "Prelúdio opus vinte e oito, número quatro em mi menor", se lhe interessar - murmura ele.
- Sempre me interesso pelo que você faz.
(capítulo 26, página 439)


Perfeito, não é? ♥

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