Resenhas

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

:: Resenha 86 :: Ratos, Gordon Reece

Sinopse: Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso. Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.


Esse livro é mais um da leva “Tá barato? A sinopse parece interessante? Compra!”, e foi o que fiz. Comprei e deixei lá... Na longa fila de – lerei algum dia. Esse dia chegou e hoje venho falar um pouco a vocês sobre esse thriller.

Como informa a sinopse, Shelley e a mãe são maltratadas no decorrer da vida. Hoje ela está às vésperas de seus 16 anos e tentando seguir uma nova vida, mas nem sempre tudo foi assim. Shelley teve uma mãe que durante a juventude era uma das melhores advogadas do escritório ao qual trabalhava. Seus pais se amavam e sua infância foi feliz. Tinha amigas, melhores amigas, que se conheciam desde o primeiro grau.

Contudo, com o passar do tempo, seu pai torna-se agressivo e mesquinho. Separa-se de sua mãe por uma jovem dez anos mais velha que Shelley e as deixam às migalhas. Suas melhores amigas crescem e se tornam pessoas diferentes e hostis com ela, à vida se torna um horror constante.

“Além disso, contar à minha mãe ou à escola significaria confrontar minhas perseguidoras, e eu era completamente incapaz disso. Simplesmente não tinha essa força. Não tinha essa personalidade. Eu era um rato, não esqueça. Parecia-me mais natural não dizer nada, sofrer em silencio, manter-me quieta e esperar não ser vista, e esgueirar-me pelos cantos à procura de um lugar seguro onde pudesse me esconder.”

As duas são ratos. Se escondem, se submetem e sobrevivem. A mãe de Shelley acaba se sujeitando a um emprego bem inferior a seu conhecimento, que depois de anos sem trabalho se dedicando a filha, torna-se defasado. Shelley, vendo o momento difícil pelo qual a mãe passa, engole calada todos os ataques de bullying que sofre na escola por suas ex melhores amigas, até o momento que sofre um atentado a sua vida. O pior dos bullying, e sua mãe descobre tudo.

Shelley finalmente consegue deixar a escola e terminar os estudos através de tutores em casa. Se mudam para uma casa longe de tudo e de todos. Um esconderijo para que os ratos possam sobreviver em paz.


“Não foi fácil encontrar uma casa que satisfizesse todas as nossas exigências: no campo, sem vizinhos, três quartos, jardins na frente e atrás. Uma propriedade que fosse antiga (ela precisava ter “personalidade”), mas que ao mesmo tempo tivesse todas as comodidades – um sistema moderno de aquecimento central era essencial, pois detestávamos sentir frio. Deveria ser silenciosa. Deveria oferecer privacidade. Afinal, éramos ratos. Não procurávamos um lar. Procurávamos um lugar onde pudéssemos nos esconder.”

Tudo está caminhando perfeitamente bem, livre de problemas. Elas dividem rotinas agradáveis e confortáveis. Longos passeios ao por do sol, praticam música juntas, brincam na varanda, cultivam flores, os estudos estão indo de vento em polpa, até sua ultima noite com quinze anos. Até aquela madrugada ao qual sua casa foi invadida por um assaltante, até alguém surgir e perturbar o sentimento de felicidade e segurança que elas tinham. 

Tudo na vida tem um limite, e nesse momento, Shelley decide que até mesmo os ratos tem limites, e a partir desse momento, suas vidas mudam para sempre.

Me surpreendi muito com este livro. Na verdade eu nem me lembrava que se tratava de bullying...

“Em determinados momentos daquelas férias esqueci-me completamente de Teresa, Emma e Jane, de seus golpes e insultos e das dores após seus chutes; nesses momentos, também me esqueci do pai que me abandonou quando eu ainda precisaria tanto dele. Enquanto minha mãe e eu nadávamos em um dos lagos gelados, rindo, gritando e tossindo por causa do frio, ou enquanto eu a seguia pelas trilhas das montanhas, onde vacas amedrontadas se levantavam lentamente quando nos aproximávamos, eu esquecia os detalhes dolorosos de minha vida e era feliz.”

O livro é meio impactante no inicio, a crueldade ao qual Shelley é submetida por suas ex amigas faz você pensar: Por que ser tão cruel a troco de nada?! Qual é a diversão em agredir outra pessoa? Por que as crianças e adolescente são tão cruéis uns com os outros? Por que hoje em dia isso é tido como normal, principalmente na terra do Tio Sam? Isso não é normal! Isso é muito errado!

Você vê o sofrimento dela e de sua mãe por serem ratas... Mas por que ratas? Porque elas são submissas, elas não conseguem se impor, elas correm, fogem, se escondem. E por isso são massacradas, abusadas, agredidas... Por serem ratas.

O início como citei, é bem intenso. Você sente pena, revolta, você quer ajudar, você quer parar com essa impunidade, quer tirar as vendas dessa justiça inexistente. Mas depois, com o decorrer da trama você se perde. Você começa a rever os conceitos do personagem. Vê seus atos e pensa: Será que essa reação realmente justifica a ação? Isso é realmente o melhor a se fazer? O melhor meio de agir? Mas aí você para e pensa... Porra! É ficção! É um Thriller! Não é a vida real, então foda-se!! Tá certo mesmo! Huahuauha!

“Porém, apesar de ficar à mesa por mais de meia hora, as palavras simplesmente não surgiam. Eu ainda não era capaz de contar a ela sobre o bullying, nem mesmo emk um bilhete que ela só leria quando eu estivesse morta. Não conseguia entender realmente por que não era capaz de me abrir com ela. Tudo em que pensava era que não importa o quanto somos próximos de alguém, sempre existirão limites – fronteira que simplesmente não somos capazes de atravessar, questões que nos tocam tão profundamente que não podem ser compartilhadas. Talvez, pensei, aquilo que não conseguimos compartilhar com os outros seja o que realmente define quem somos.”

Este livro não é como Extraordinário (resenha aqui), que tem um exemplo a seguir, o que devemos fazer, como passar por cima, um livro no qual a história de superação pode ser tida como exemplo para a vida, uma historia que uma criança possa ler, aprender e seguir. Não... Esse livro é uma ficção. As escolhas nem sempre são as certas, até porque, venhamos e convenhamos, não somo seres puros. Algumas pessoas podem até chegar a achar forte. Umas podem achar que elas fizeram o certo. Outros acharam que foi errado. Eu, honestamente, estou em cima do muro. Só posso afirmar que gostei muito. Agora você? O que será que acharia da história? Qual seria sua opinião sobre o final?
Essa resposta, somente lendo para descobrir! :D
O final, você decide!!! (Foi mal gente, não resisti...kkkkkkkkk)
Beiju!

Título: Ratos
Autor: Gordon Reece
ISBN-13: 9788580570700
ISBN-10: 8580570700
Ano: 2011 
Páginas: 240
Editora: Intrínseca
Compre aqui: Livraria da Folha
Skoob 
Classificação:


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9 comentários:

  1. Eu quero muito ler Ratos!!! Quando lançou por um preço bem alto eu me interessei na sinopse, ai vi uma resenha negativa e decidi esperar abaixar, nisso acabei decidindo esperar a Bienal... e não deu!!
    Sobre a livro a sinopse é muito apelativa, me desperta uma vontade enorme de entender o que fez essas duas se anularem tanto! Agora com a resenha quero ler... Senhor, preciso de grana!

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    1. Caraaaaa! comprei por 5 dilmas na época! perdeu playboy! huahuauhahu

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  2. Olá,
    Legal um livro de ficção que trata de uma história real e ao mesmo tempo te joga pra dentro da história hahahahaa. Parece ser bom, ainda mais por não ser real, não há aquele julgamento sobre as ações dos personagens. Legal que tanto a sinopse quanto a resenha desperta a curiosidade da pessoa hahahaaa.

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    1. Que bom que ficou curioso! a intenção era essa!! huahuahuahua
      á historia é muito eletrizante!! leia!!!

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    2. Vou ler sim Ana, gostei realmente da premissa :)

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  3. Oie
    Vi esse livro em oferta várias vezes mas como sempre olhei o título e ele não me revelava nada acabou não me chamando atenção.E eu fiquei bem curiosa pra saber que atitudes elas tem e se eu vou julgar como certa ou errada mas provavelmente eu nunca vou descobrir por que não pretendo ler o livro,pelo menos não em breve.Mas depois de ler sua resenha ele se tornou bem mais interessante,e fico feliz em saber que ele foi um boa leitura pra você.

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    1. Obrigado Letícia! que bom que despertei sua curiosidade! Essa era a intenção!! ;) É bpm ficar de olho! vai que aparece nas promoções da vida de novo?! :D

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  4. E esse livro é realista, realista, e não aqueles que mostram que podemos superar tudo, porque nem sempre superamos certas coisas. Uma ficção, que provavelmente vou amar. Já li uma resenha de Ratos, e já tinha gostado deste livro, espero ler-lo logo.

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  5. Mirian! Exatamente isso! Perfeita descrição! Espero que goste!!

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