Resenhas

quarta-feira, 20 de julho de 2016

:: Resenha 188 :: “Proibido”, Tabitha Suzuma



Sinopse: Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda sua riqueza, profundidade e mistério.
Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã. Mas será que o mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia?



Olá, pessoal. Tudo beleza? Bom, o segundo livro da Maratona Literária de Inverno 2016 que eu li foi este aí, o Proibido da Tabitha Suzuma. Esse livro entrou na semana dos encalhados porque eu já tenho ele desde outubro de 2014.
Eu sabia da carga dramática dele, sabia que ele é aquela coisa de, ou você curte muito ou você detesta ao ponto de não conseguir concluir ou nem querer começar. Eu sabia do que ele abordaria e mesmo assim queria muito ler para tirar as minhas próprias conclusões. Tento ao máximo não julgar nada nem ninguém, ainda mais quando o assunto é sentimento e amor, mas eu digo pra vocês que foi uma leitura muito, muito intensa e angustiante.

“Sei tudo e mais alguma coisa sobre ter vergonha de um parente – o número de vezes que desejei que minha mãe agisse como uma mulher adulta em público, já que não fazia isso em particular. É horrível sentir vergonha de alguém que você ama; é uma coisa que te rói por dentro. E, se você deixar que te afete, se desistir da luta e se entregar, a vergonha acaba por se transformar em ódio.
Não quero que Kit sinta vergonha de mim. Não quero que ele me odeie, embora eu mesmo tenha a sensação de odiá-lo às vezes. Mas aquele garoto problemático, revoltado e ressentido ainda é meu irmão; ainda é minha família. Família: a coisa mais importante de todas. Meus irmãos podem me deixar doido às vezes, mas são meu sangue. São tudo que já conheci. Minha família sou eu. É a minha vida. Sem eles, eu caminho pelo planeta sozinho.”


Nele nós vamos conhecer Lochan e Maya, eles têm 17 e 16 anos (respectivamente) e apesar de serem apenas dois jovens adolescentes, eles têm de cuidar de seus outros três irmãos: Kit que tem 13 anos  (e que está numa fase super rebelde e me irritou vááárias vezes!), Tiffin de 9 e Willa, de apenas 5 aninhos (pela qual eu me apaixonei!). E quando eu digo cuidar, é cuidar mesmo!

O pai saiu de casa quando eles eram ainda muito novos, Lochan tinha apenas 12 anos e foi um baque muito grande na vida dele e de Maya, que eram os maiores e já tinham a percepção das coisas.

A mãe começa a se mostrar uma criatura fdp e relapsa, ao deixar os filhos sozinhos para aproveitar a vida que não curtiu quando era mais nova ao ter se casado e tido filhos que ela não queria. Ela praticamente se muda para a casa do novo namorado e nas poucas vezes que aparece em casa, está completamente bêbada, vomitando na frente dos filhos, desmaiando no chão da cozinha.

“- Lochan, você pode me acusar de não ser uma mãe normal no dia em que começar a se comportar como um adolescente normal.”


Por conta disso, dessa ausência de pai e mãe, Lochan e Maya amadurecem muito rapidamente. Eles continuam estudando, mas em vez de fazerem as coisas condizentes a idade deles, eles precisam cuidar da casa e dos irmãos. Eles que fazem as compras da semana, eles que fazem a comida, eles que colocam as crianças para tomar banho, fazer a tarefa da escola e dormir. Enfim, é uma vida super carregada, exaustiva e difícil. E não pensem que eles têm uma condição boa. Loch sofre pra conseguir arrancar uma grana da mãe, eles vivem passando aperto e ela sempre reclama pelo fato dele e Maya não largarem os estudos para trabalhar, como ela teve que fazer.

Pra completar a dificuldade da situação, Lochan tem alguns problemas, como fobia social. Ele simplesmente não consegue ter amigos, não consegue falar em público. Pra ele responder uma pergunta na aula ou apresentar um trabalho na escola é um sacrifício. Ele evita a todo custo inventando todas as desculpas possíveis, e quando ele se vê numa situação que precisa realmente falar, ele acaba tendo um ataque de pânico.

“Toda vez que me recuso a responder a uma pergunta na sala de aula, cada momento que passo sozinho debruçado sobre um livro é um lembrete do que minha família pensa de mim. Um cara ridículo. Um esquisitão antissocial. Um filho adolescente que não consegue nem arranjar um amigo, que dirá uma namorada. Mas eu tento, tento sim: pequenas coisas, como perguntar as horas ao colega do lado. E aí ele tem que se curvar para a minha carteira e me pedir para repetir a pergunta. Nem eu consigo ouvir o som da minha própria voz.”


A única pessoa próxima a ele e que o entende, é Maya. E eu acredito que toda essa aproximação, esse carinho e esse dever dos dois em se verem responsáveis e pais dos irmãos, foi o que fez os dois se apaixonarem e desenvolverem a relação incestuosa que tiveram.

Apesar de ter gostado muito do drama, da escrita da Tabitha, eu fui lendo esse livro com uma angustia terrível! Aquele sentimento esquisito dentro do peito de não concordar com o que estava lendo, ao ver o jeito como um falava do outro com amor e desejo, que resultou numa leitura bem intensa e pesada pra mim. Só que eu continuei. Todo tempo tentando sempre entender e ver no que ia dar, aguardando ansiosamente o que o final me guardava.

Infelizmente eu desejava imensamente um final diferente. Tenho uma amiga que adora esse livro e chegou até a torcer para os dois ficarem juntos, mas eu confesso que não conseguia e tinha um final perfeito na minha mente, mas… não rolou o que eu imaginei. O final é bem chocante e me fez derramar algumas lágrimas. Fiquei bem triste com o desfecho, com o coração partido, mas talvez o final do livro não seja assim tão absurdo para alguns, pela situação em que eles se encontravam.

Apesar de toda a dificuldade e de todo drama, o livro tem partes belíssimas. O amor desses dois pelos irmãos, o cuidado, o medo que eles têm de o Serviço Social descobrir que eles vivem nesse perrengue todo, sozinhos sem pai e sem mãe, é muito tocante e mesmo sofrido, é muito bonito de se ver. Você torce para que eles consigam fazer as coisas direitinho para que nada aconteça, para que eles permaneçam juntos, mesmo sendo desse jeito torto que eles se vêem fazendo as coisas.

Vale lembrar que eles sofrem muito pelo sentimento que descobrem ter um pelo outro. Eles sabem que é errado e que ninguém irá entender, pois a gente já nasce com esse conceito de que é algo errado. Só que na situação em que estão e em que vivem, é muito difícil lutar contra.

Proibido é um livro difícil de ler, não nego. Não são todas as pessoas que se dispõem a ler, e algumas que começam, não conseguem terminar. Eu não me arrependo e como disse, eu achei o livro bom, a escrita muito boa, bonita e tocante. Para quem tem curiosidade, quem gosta de algo polêmico e tem a mente aberta, eu acho válida a leitura. Os capítulos fluem muito bem, ele é narrado em primeira pessoa, ora pelo ponto de vista de Loch, ora pelo ponto de vista de Maya.

“Tenho que fazer um esforço sobre-humano para não perder a paciência com Willa – dizer que se apresse, perguntar por que parece fazer tanta questão de que cheguemos atrasados. No momento em que alcançamos os portões da escola, ela vê uma amiga e sai correndo em sua direção, o casaco voando como uma cauda de cometa atrás dela. Por um momento fico parado, vendo-a se afastar, uma torrente de finos cabelos dourados ondulando às suas costas no vento. Seu jumper cinza ainda está manchado do almoço de ontem, o casado escolar sem o capuz, a mochila de livros ciando aos pedaços, a meia-calça vermelha com um buraco enorme atrás do joelho, mas ela nunca se queixa – mesmo estando cercada por pais que abraçam os filhos ao se despedir, mesmo não vendo a mãe há duas semanas, mesmo não possuindo qualquer lembrança de algum dia já ter tido um pai. Ela só tem cinco anos, mas já aprendeu que não adianta pedir à mãe para ler uma história na hora de dormir, que receber amiguinhos em casa é uma coisa que só as outras crianças podem fazer, que brinquedos novos são um luxo raro, que em casa Kit e Tiffin são os únicos que conseguem o que querem. Aos cinco anos ela já aceitou uma das mais duras lições da vida: que o mundo não é justo... Quando chega à metade dos degraus, com a melhor amiga a reboque, de repente lembra que não se despediu e vira a cabeça, procurando meu rosto em meio ao pátio que já começa a ficar deserto. Quando me localiza, um sorriso radiante se abre entre as bochechinhas gordas, a ponta da língua cutucando o espeço banguela entre os dentes da frente. Levantando a mãozinha, ela acena. E eu retribuo o aceno, meus braços varrendo o céu.”


Título: Proibido
Título original: Forbidden
ISBN-13: 9788565859363
ISBN-10: 8565859363
Ano: 2014
Páginas: 304
Editora: Valentina
Compre aqui: Submarino
Classificação:


Sobre a autora:


Tabitha Suzuma nasceu em Londres, a mais velha de cinco irmãos. Frequentou uma escola francesa na Inglaterra, tornando-se bilíngue. No entanto, detestava a escola e sentava no fundo da sala, escrevendo histórias, o que os professores só permitiam por achar que estivesse tomando notas. Aos quatorze anos, Tabitha abandonou os estudos, contra a vontade dos pais. Continuou sua educação através de cursos a distância e foi estudar Literatura Francesa no King's College, em Londres. Os livros de Tabitha Suzuma foram indicados para diversos prêmios, entre eles a Carnegie Medal, o Waterstone's Book Prize, o Jugendliteraturpreis e o Branford Boase Book Award. Ela foi premiada com o Young Minds Award, o Stockport Book Award e o Premio Speciale Cariparma para Literatura Europeia. Proibido foi lançado com enorme sucesso na Alemanha, Itália, Estados Unidos, Dinamarca, Grácia e Espanha, entre outros países.

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14 comentários:

  1. Primeiro acho muito linda a capa desse livro!
    Quando li a sinopse desse livro tinha certeza que eu não iria ler, porque gente o casal são irmão então não tinha como dá certo né?
    Mais acabei ganhando o livro de presente então não é que acabei lendo mesmo não querendo rs, foi uma leitura rápida mais tinha partes dele que eu quase desistir por causa da angustia que eu estava sentindo. Nunca chorei lendo um livro mais quando terminei esse passei o dia todo chorando, mesmo sabendo que não tinha como dá certo entre o Lochan e a Maya eu ainda assim estava torcendo muito pra eles.

    Ainda não sei ao certo se eu gostei do livro, como você disse é um livro difícil de ler.

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  2. Esse livro, para mim, foi super super angustiante de ler. Eu não imaginava que essa historia tinha uma carga sentimental tão pesada (na minha opinião), é um misto de amor e ódio. Infelizmente esse é um livro que não vou reler nos próximos 10 anos.
    O que a Bia falou sobre a mente aberta para ler, é a mais pura verdade, mas acho que é preciso também colocar seus princípios e preconceitos de lado para poder ver a beleza da historia. Não concordo com final, mas gostei do livro.
    Bia adorei a resenha, bem escrita, parabéns!!

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  3. Oie

    Sua resenha ficou maravilhosa!
    Eu adiei muito a leitura desse livro e sinceramente quando comecei, apesar de já ter visto várias resenhas, não imaginei o quanto mexeria comigo. A carga emocional foi enorme.
    Eu também gostaria que o final fosse outro, mas confesso que eu fiquei muito dividida, não queria o final que teve, mas ao mesmo tempo não consegui formar um na minha cabeça. Eu variei muito minha opinião.
    O certo é que também acho que todo drama vivido por Lochan e Maya levaram os irmãos a esse amor. Esse foi um dos livros mais fortes que li e o final acabou comigo, chorei muito.
    Parabéns pela resenha!

    bjs
    Fernanda
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  4. Oi Bianca!
    Mds, eu acho que teria a mesma reação que você a esse livro. É justamente por esse fato que prefiro não me atrever a ler algo sobre. Eu creio que não teria mentalidade aberta o suficiente para aceitar o romance, por mais que dentro da construção da autora faça sentido. Um amigo meu estava lendo, e ele também se acabou com final. E eu acabei descobrindo porque. Forte de fato :( Mas ainda sim, não é minha praia :(

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com.br/

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  5. Não estou preparada para esse livro ... :(

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  6. Olha, eu nunca li esse livro mas tenho uma grande repulsa por ele, não gosto da história e não faço a menos questão de dar uma chance para ele. Gostei da sua resenha sincera.

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  7. Oie
    já vi muitas resenhas positivas, parece ser muito bom o livro, que bom que gostou apesar de alguns aspectos haha eu sou louca para ler esse livro e que resenha legal

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  8. Acho que esse vou passar a vez. Tenho lido tanto sobre o livro que acho que meu psicólogo não esta preparado para essa leitura. Adorei a resenha. Parabéns

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  9. Oie!
    Eu li esse livro e confesso que não gostei. Juro que tentei me emocionar, e até me colocar no lugar dos protagonistas, mas não consegui. Esse foi um daqueles livros que não me conquistou em nada.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  10. Olá! Eis um.livro que sou louca para ler. Sim, com toda certeza é um.livro difícil de ser ler. Mas acho que vale a pena! É impressionante como a autora constrói uma história desse nível. Espero estar preparada para ler. Beijos!

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  11. Essa virou uma das minha leituras favoritas desse ano. Ele é terrível, porém lindíssimo ao mesmo tempo. Assim como os personagens, sofremos desde a primeira página. Até os momentos mais felizes são regados por tal sentimento. A autora soube envolver o leitor e surpreender também.

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  12. Oi

    Que resenha incrível!

    Parabéns! ☺

    Eu não li esse livro e nem Sei se leria. Pois eu sei que a carga dramática dele é grande e eu meio que fujo de leituras assim. Mas sei que a autora conduziu de uma maneira bem leve...dentro do esperado....

    Admiro quem, como você, encara uma leitura forte como essa.

    Bjs

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  13. Oi

    Que resenha incrível!

    Parabéns! ☺

    Eu não li esse livro e nem Sei se leria. Pois eu sei que a carga dramática dele é grande e eu meio que fujo de leituras assim. Mas sei que a autora conduziu de uma maneira bem leve...dentro do esperado....

    Admiro quem, como você, encara uma leitura forte como essa.

    Bjs

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  14. Oi, Bia
    Eu não tenho estômago para ler esse livro, mariana leu e me contou o final. Também não ia torcer para eles ficarem juntos, não aceitaria e também fiquei triste com o final.
    Parabéns pela resenha
    Beijos

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