Resenhas

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

[Precisamos falar sobre PDF - De novo!]

Eu sei que já conversamos sobre PDF aqui no blog (vocês podem reler ele aqui). Não quero ser repetitiva e nem soar como a chata cult, mas a vista de acontecimentos recentes, precisamos bater um papinho sobre PDF, mais uma vez. Por que? Vocês perguntam. Porque antes a situação envolvia apenas o meu medo como autora iniciante. Eu ingenuamente acreditava que autoras que possuem o apoio financeiro e jurídico de grandes editoras não sofriam com isso, mas descobri que a coisa não é bem assim. A pirataria literária cresce tanto quanto cresce a quantidade de novos leitores, porém, eu vou ser pessimista aqui e dizer que nesse ritmo eu duvido muito que vão surgir novos autores. A competição em um ramo onde não deveria existir competição é bem cruel, afinal, como vencer essa mania de se dar bem, mesmo que isso seja o mesmo que prejudicar o outro?

Para quem está por fora do mundo virtual, ou não segue nenhuma dessas autoras no facebook, vai aqui uma atualização sobre os acontecimentos envolvendo pirataria. Começou com a Jamie McGuirre falando diretamente ao Brasil que existia a possibilidade dos futuros livros dos Irmãos Maddox, incluindo uma novela com o Sheppley, não serem publicados no Brasil porque a editora Verus, responsável pela publicação dos mesmos, estava receosa com o fato das vendas serem prejudicas com o fato dos livros estarem sendo amplamente distribuídos em PDF, incluindo estarem no Wattpad. Quando a autora colocou esse fato a público, a reação dos ditos fãs foi... pausa!

Vamos fazer uma pausa e aqui eu vou perguntar algo diretamente a vocês: O que um fã de verdade faz quando a sua querida autora diz que os livros dela podem não ser publicados no seu país devido a pirataria? Se solidariza com a autora? Lamenta perder livros novos da série que gosta? Faz uma campanha para a editora ver que tem sim fãs dispostos a comprar por amor a série? Todas as opções anteriores? Vou dar tempo para vocês pensarem...



O que a galera fez foi ir no twitter e chamar a Jamie (#íntima) de MERCENÁRIA! De dizer que ela escrevia por dinheiro e que ela estava ERRADA em pedir para eles, os ditos fãs, pararem de ler PDF, em pedir que eles não publicassem o livro dela no wattpad. E isso já me deixou muito assustada!

Aí como se impulsionadas por um efeito cascata, outras autoras que eu sigo decidiram falar sobre pirataria. Eu vou fazer uma suposição que, o que rolou com a Jamie deu um alerta nelas, a galera é unida, pelo que noto. Então autores como Penelope Douglas (Bully - Universo dos Livros) e Colleen Hoover ( Métrica - Verus), usaram as redes sociais para falar sobre pirataria. Em especial a Colleen fez uma postagem que eu gostei muito, onde ela fala que quando ela publicou Métrica e era uma ilustre desconhecida, vendeu uma certa quantidade x de livros. Métrica foi um sucesso, todos os livros posteriores foram aclamados pelo público e pela crítica, suas redes sociais aumentaram em números de seguidores... então se espera que hoje, com o nome estabelecido ela venda mais, certo? Certo? CERTO?


Não! Ela revelou que a cada lançamento, apesar dos números em redes sociais aumentaram sempre, as vendas caíram em cerca de 1/10 do que vendiam antes. Ela conta ainda, que um livro dela vazou na internet antes do lançamento e ele tem mais avaliações no Goodreads do que vendas. Estamos falando aqui de uma autora que publicou GRATUITAMENTE um livro no Wattpad e autorizou pessoalmente que os fãs de outros países traduzissem o livro, dando o devido crédito, para que todos, eu vou repetir, TODOS tivessem acesso a história de Too Late, e sim, ele ainda está no wattpad, grátis e disponível para a sua leitura. E como o dito fã agradece  isso? Ele não compra outros livros dela, ele pirateia.

E aí vai vir aquele velho debate que os livros são caros, e eles são, mas também vem a velha história de que há caminhos que não precisam ser o do PDF. O Kindle (incluindo aqui o serviço Unlimeted que custa meros R$20,00, menos de um real por dia!) Kobo, Lev, estão aí no mercado para serem comprados. Não pode comprar o aparelho? Todos eles possuem aplicativos para Android. Google Books, iTunes, enfim, se você lê digital, tem meios de se manter digital e ainda comprar o original, incentivando o autor e não beirando a ilegalidade.


É claro que não podemos ser nem muito mel nem muito fel. Eu realmente acredito que os grupos  de tradução (eu sei que eles existem, não vivo em uma toca) fazem um trabalho bem legal ao pegar autores NÃO PUBLICADOS no Brasil, mas que causam burburinho nos seus países de origem e trazem esses livros para cá, traduzidos. É verdade que às vezes esse trabalho é mal feito, às vezes é bem feito, mas aqui eu falo de autores que não estão no Brasil e acabam sendo descobertos pelos brasileiros e nós até mesmo podemos fazer uma pressão ou indicação para as editoras publicarem essas histórias no Brasil.

Mas essa é uma situação que não se aplica mais, quando, há muitas eras atrás, quando não existia Viciados em Leitura e os GD faziam sim, um trabalho dedicado aos fãs, existia um comprometimento de não traduzir autores que foram comprados por editoras. Hoje, infelizmente o mundo das traduções virou uma fogueira das vaidades, seres humanos sendo seres humanos e com isso, falhos. Não existe mais isso, não existe mais limite e não importa se é autor nacional, se foi comprado ou não, tudo é distribuído de graça (sem qualidade em 90% dos casos) em nome de um suposto amor a leitura que eu não consigo enxergar.


Talita, você não vai falar do seu livro? Se você sentiu uma curiosidade em ler a coluna anterior sobre PDF que eu linkei lá no começo, você leu que eu tenho dois livros escritos, que foram publicados no Wattpad e eu não sabia ao certo se colocaria ou não para venda. Pois bem, ele foi para a Amazon, ele custa, atualmente, R$5,99, e está disponível no Unlimeted. Ele ficou mais de um ano, eu disse UM ANO, gratuitamente no Wattpad. A bem da verdade, era a versão sem revisão, a versão venda foi revisada, não só algumas passagens como a escrita. E mesmo assim, dias depois dele ficar disponível para venda, me chamaram no whatsapp para avisar que ele estava sendo distribuído em PDF por e-mail para várias pessoas.

O meu livro veio parar nas minhas mãos em PDF! Ou seja, continuo uma professora de matemática que às vezes escreve. Vou escrever por amor, pela emoção, vou comemorar os ganhos financeiros que vão ajudar muito, não só a mim como a minha família, mas não vejo, a longo prazo, que essa situação PDF vs Autor vai me fazer dizer "sou escritora", porque eu não quero ser uma mulher de 29/30 anos vivendo as custas de pai e mãe. Eu tenho vergonha na cara e por isso vou ser uma professora que às vezes encontra tempo para escrever. Triste, mas é a verdade. E isso porque eu tenho um emprego, um emprego que eu felizmente, gosto. Imagine aquele autor que está infeliz no emprego, que sonha viver da escrita, mas quando ele acha que o sonho vai se realizar, ele recebe o PDF do livro dele?



Nas palavras da Colleen, traduzidas pela Raffa do blog A menina que comprava livros:
Se as pessoas não aparecerem em seu local de trabalho e exigem que você trabalhe o dia inteiro de graça, você também não deve esperar que os seus autores e músicos favoritos o façam.

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2 comentários:

  1. Adorei o post. No meu ponto de vista. Se vc esta realmente a fim de ler um livro e não tem $$, você pode buscar as bibliotecas ou amigos e emprestar o livro. Eu prefiro mil vezes o livro físico, não vou negar que já li em PDF, mas não foi muito agradável. Os livros são caros ? sim, mas espere um pouco e compre nas promoções. Dos grupos que participo são proibidos trocas de PDF, e eu vejo pessoas que têm 100 livros pra ler e compra mais 50, na minha opinião não são leitores, são compradores de livros. Devemos ver o autor como um funcionário liberal, que precisa pagar suas contas no fim do mês. Portanto, seu post foi perfeito. Parabéns

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  2. Aplausos de pé!
    Corretíssimo!

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