Resenhas

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

:: Resenha 195 :: "O cemitério", Stephen King





Sinopse: Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios familiares para explorar a região, conhecem um "simitério" no bosque próximo a sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação.

Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras e onde forças estranhas são capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível.





A breve opinião de uma mente em parafuso:


Gostaria de poder abrir essa resenha com o mais incrível e emocionante dos espantos; gostaria de dizer que o livro foi a coisa mais maravilhosa que já li em toda a minha vida – talvez nem tanto, mas vocês entenderam a ideia –, porém não foi bem assim.
Confesso que fui com muita sede ao pote, afinal, amados, estamos falando de, ninguém menos, Stephen King! A espera, a projeção, é de algo brutalmente fascinante, algo que possa nos tirar do eixo, nos fazer tremer de medo ou, quem sabe, abrilhantar nossos dias com a sua criatividade... não foi bem assim. Na verdade, na questão da criatividade permaneceu imutável, mas o livro em si... todo o livro...
Bem, eu não queria que tivesse sido algo mais negativo do que positivo [SIM, houve muito de positivo, porém, infelizmente, o desgosto conseguiu dar uma passada adiante], mas vamos lá. Vamos ao tudo.

Stephen King, como sabemos todos, é um grande mestre do suspense/terror, que cada dia mais ganha fãs. Não é algo que nos provoca medo efetivo, mas o suspense, o pavor por algo mais, que compõem as suas grandes tramas e isso não foi diferente em “O cemitério”.
Toda a ambientação é sempre muito bem descrita e de uma maneira leve, simples de se compreender; ainda que não seja exatamente o meu tipo preferido de escrita, ainda foi algo que me deu muito gosto, pois ele não peca na descrição das coisas, dos movimentos, da composição dos ambientes e situações, o que, de fato, permite que imaginemos tudo o que está acontecendo naquele momento; é possível viver a história e ver o que está se passando ali e isso é algo de essencial em um grande escritor. Ele, com toda a certeza, faz parte dessa gama para mim.
A questão é que chegamos num impasse: foi um livro chato.
Apesar de toda a boa descrição, o começo ótimo da história, o final que se mostrou fantástico e tão incrível e esperado “a la Stephen King”, teve um enorme meio, entremear, de livro extremamente cansativo; insuportável, até, eu diria. Algo exaustivo e chato de se ler.
Posso dizer que, aos meus olhos, num livro que possui 423 páginas, em torno de duzentas poderiam ter sido brutalmente cortadas, sem nenhum pingo de remorso. Foram cenas e situações que apenas se encontravam ali para encher página, montar situações que, em momento algum, foram essenciais para a trama do livro. É claro que um livro se faz muito de situações corriqueiras, que enchem os personagens, enchem uma trama – e é o tipo de coisa que adoro –, mas não de todo um jogo de “nada com nada”. Tantas e tantas páginas sem nenhum propósito, sem nada acontecendo, que cheguei, diversas vezes, a perder a vontade de ler. Muito chato e entediante para, vez ou outra, surgir uma informação importante, uma situação que realmente valesse a pena... e lá vinham mais cinquenta páginas sem propósito algum.
Poxa, eu esperava algo realmente emocionante, que me prendesse do começo ao fim do livro, mas o que mais encontrei foi o esforço hercúleo de virar uma página após outra. Um livro de suspense que se mostrou extremamente monótono.
Ao final do livro, quando as últimas cem páginas realmente se mostraram muito interessantes, eu já estava exausta e sem vontade de terminar de ler, pois ele não me deu qualquer tipo de ânimo para continuar a leitura. Era algo que não esperava de Stephen King: uma leitura maçante e sem propósito algum; é como escrever um livro sobre a “formação das maçãs” e passar quase duzentas páginas, intermitentemente, falando sobre “a criação do universo e a inserção das macieiras no mundo”. É um saco...
Mal sabem vocês como me dói falar isso de um livro do Stephen King, mas fiquei decepcionada com a leitura. Quero dizer, as partes que importavam, especialmente o período final, foram fantásticos e me atraíram imensamente, mas a leitura em si foi exaustiva; depois de um tempo, você fica sem saber se tem propósito ou não aquele capítulo, ficando, até mesmo, na dúvida se algo de fato acontecerá.
Por outro lado, os personagens têm personalidade e são bem trabalhados; dá a chance de ser cativado por cada um deles, identificar-se, o que é uma das coisas mais importantes em um livro, ainda que nesse em particular o foco essencial seja no personagem principal, Louis Creed. Posso dizer que todos eles foram bem montados e até os mais secundários desempenharam grande papel em tudo o que aconteceu; todos têm grande parte na trama do livro, o que é bastante interessante, considerando que muitos autores tendem a deixar os personagens secundários mais como espectadores. Foi um ponto muito positivo para mim; nos permite amar, detestar, ter raiva e é isso que faz um bom autor.

Acredito que a leitura tenha valido a pena, mas não foi fluída como esperava que fosse; não foi prazerosa como esperava que fosse. Não é um livro que lerei uma segunda vez, que esperarei incansavelmente para colocar minhas mãos novamente e também não recomendarei como um dos melhores livros do Stephen King.
SIM, todas as suas grandes qualidades permanecem estampadas nesse livro – sua criatividade, a audácia, a forma como escreve, os personagens, os detalhes sórdidos e a emoção –, contudo o processo até ver algo realmente aparecer foi bastante exaustivo e desgastante. Se fosse recomendar o livro, seria para deixar bastante claro:
“Querido leitor, que você tenha muita paciência. Amém.”
Apesar de ter saído exaurida desta leitura, todos os pontos positivos desse grande autor permaneceram nas suas páginas; de tal forma, o livro permanece em uma classificação mediana. Teria sido MARAVILHOSO... se eu não me sentisse entediada durante cinquenta ou sessenta páginas consecutivas até ver uma manifestação. Bem, essa é apenas a minha opinião.
Para aqueles que leram, até gostaria de saber se têm alguma visão diferente da minha!

Beijinhos!



Título: O cemitério
Autor: Stephen King
ISBN-13: 9788581050393
ISBN-10: 8581050395
Ano: 2013
Páginas: 424
Editora: Suma de Letras
Compre aqui: Skoob | Saraiva
Classificação: 




Sobre o autor:

Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman).

Comente com o Facebook:

13 comentários:

  1. Ainda não tinha visto esse livro. É uma pena quando um livro fica se arrastando né. Eu teria parado. Não iria até o final. As vezes terminamos por respeito ao escritor. Ainda mais sendo o king. Se algum dia eu for ler de darei meu feedback

    ResponderExcluir
  2. O Stephen King tem dessas. Eu li A Coisa, e também acho que umas 100 páginas podiam ser cortadas. Entretanto, na maioria das vezes ele acerta em cheio, e isso me dá ânimo pra não desistir das histórias dele. Apesar da resenha não ter apontado um grande sucesso, ainda pretendo ler. Esse livro já estava na minha lista. Só que, dessa vez, irei com a expectativa um pouquinho mais baixa e ciente de que preciso de algumas gotas a mais de paciência.

    http://www.eubrunocardoso.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Acho que todas as obras de King tem essa coisa de encher suas paginas com uma carga levemente excessiva de detalhes e informações de todo o cenário a sua volta, informações sobre cada personagem e seu passado, lembranças... E acaba deixando um pouco a desejar na objetividade com a temática do livro.
    Uma grande maioria realmente não gosta. eu faço parte da minoria que gosta, ou se acostumou, sei lá! =)
    Uma penas não ter curtido!

    https://literakaos.wordpress.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então, a descrição intensa, as páginas bem faladas sobre os personagens são algo que me fascinam demais! Quem conhece as minhas resenhas sabe disso; na verdade, livros sem descrição não têm a menor graça aos meus olhos... a diferença, no que diz respeito a esse livro do Stephen King, é que a descrição pareceu uma grande encheção de linguiça, porque grande parte das informações dadas não complementava os personagens ou as suas histórias, mas, sim, apenas eram jogadas. Não aprofundavam os personagens, não davam um sentido maior às suas vidas, muito pelo contrário: não disseram nada. É diferente quando se vê uma história muito carregada de informações que engrandecem todos aqueles que fazem parte dela. Fazer em torno de duzentas páginas apenas de situações de olhar para o lado, "o gato subir e descer", não significa nada e pode ser cortado, porque se torna repetitivo e vazio.
      Eu faço parte da minoria que adora descrições, mas também faço parte da minoria que sabe dar uma nota ruim para um livro de um autor favorito. Não é porque ele está nos meus favoritos, que tudo o que escreve é bom. ^_^=

      Acho muito importante também ouvir opiniões diferentes!
      Beijinhos!

      Excluir
  4. Olá
    Tenho um carinho muito grande por esse livro, foi meu primeiro King, tenho que concordar que King escreve muito, e muitas vezes passa da conta, e realmente da para cortar muita coisa, mas esse jeito dele tratar os personagens é bom demais

    ResponderExcluir
  5. Olá,

    Acho que o "Mal" que King tem é o mesmo que perturba os escritores de Fantasia que adoram detalhar ao extremos personagens e locais que muitas vezes não acrescentam ao livro, mas geram excessos tristes e enfadonhos.

    Não sou muito fã de King, porém acho a escrita dele bem estruturada e cativante.

    Beijos!

    ResponderExcluir
  6. Olá...
    O King não é um dos meus autores preferidos e confesso que até fujo dele por não curtir em nada o gênero dele.E o fato de ser uma leitura mais arrastada, é outra coisa que me faria fugir desse livro.
    Uma pena que o livro não funcionou direito para você, mesmo ele sendo bom :/

    beijos
    Livros & Tal

    ResponderExcluir
  7. Olá,
    Não sei se vc sabe, mas foi até adaptado para o cinema - Cemitério maldito, tem uma música do Ramones tb hehe
    Esse livro tem uma história por trás, o autor teve um perrengue com a editora, e ele mesmo diz que não é seu melhor livro, que é muito sombrio e tals.
    Mas Stephen King tem dessas nos livros, descriçoes e texto demais em certas partes. Principalmente nos clássicos dele, os mais antigos. Ele é um dos escritores que mais gosto,mas tb fico entediada com algumas partes, algumas vezes.
    Bjs

    ResponderExcluir
  8. Ah, sem contar que esse livro é de 1983 e tem ritmo diferente. Mas sim, tb achei meio longo alguns trechos. Bjs

    ResponderExcluir
  9. Oie

    Esse foi um dos primeiros livros que li do Stephen!
    Eu adoro o autor e o estilo dele é um dos meus favoritos mas sei que alguns livros ou algumas partes de alguns livros chegam mesmo a ser muito cansativas.
    Esse apesar dessas partes, eu gostei bastante e depois partir para o filme.
    Sua resenha ficou excelente!

    bjs
    Fernanda
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  10. Olá!
    É decepcionante quando temos expectativas sobre uma história e elas não são nem ao menos alcançadas...
    Essa é a primeira resenha que leio deste livro de King e confesso que me fez colocar o livro lá no final da minha listinha de livros dele que quero ler. O fato de não ter sido uma leitura fluída é um dos pontos principais de eu não querer ler.
    Gostei muito da resenha e dos pontos que você ressaltou. Parabéns pela sinceridade.
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

    ResponderExcluir
  11. Eu preciso muito começar a ler esse gênero, mesmo não sendo o tipo de leitura que eu mais gosto.

    http://laoliphant.com.br/

    ResponderExcluir
  12. Oie
    é um dos livros do autor que tenho bastante curiosidade, gosto muito do King e espero com certeza poder ler esse em breve, que pena que certas coisas não funcionaram para você

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir