Resenhas

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

:: Resenha 213 :: "Cuco", Julia Crouch





Sinopse: Polly é a mais antiga amiga de Rose. Então quando ela liga para dar a notícia que seu marido morreu, Rose não pensa duas vezes ao convidá-la para ficar em sua casa. Ela faria qualquer coisa pela amiga; sempre foi assim. Polly sempre foi singular — uma das qualidades que Rose mais admirava nela — e desde o momento em que ela e seus dois filhos chegaram na porta de Rose, fica óbvio que ela não é uma típica viúva. Mas quanto mais Polly fica na casa, mais Rose pensa o quanto a conhece. Ela não consegue parar de pensar, também, se sua presença tem algo a ver com o fato de Rose estar perdendo o controle de sua família e sua casa. Enquanto o mundo de Rose é meticulosamente destruído, uma coisa fica clara: tirar Polly da casa está cada vez mais difícil.







A breve opinião da mente de uma pobre criatura perplexa... tipo, MUITO, perplexa! o.o


Então... Imaginem uma situação comum. Algo natural, que poderia acontecer com qualquer pessoa. Uma amiga pode perder o seu marido em uma situação inusitada; por que, em um momento de tanta fragilidade, você não abriria as portas de sua casa para ela?
Talvez, inicialmente, tenha sido esse o pensamento de Rose. Não somente Polly, sua melhor amiga, havia perdido o marido em um acidente e sido deixada com dois filhos pequenos, como também o falecido era um grande amigo dela e de seu marido. O abalo repercutiu sobre todos e, sem duas vezes pensar, o convite foi feito, as portas de sua casa foram abertas.
Ainda que fosse considerada uma pessoa difícil, de muitos erros, por qual motivo deixar uma amiga, a MELHOR AMIGA, que tipo de pessoa seria capaz de deixá-la sozinha, sem dinheiro, em um país que detestava, atrelada à família, de um marido morto, que a odiava?
A atitude de Rose poderia ser considerada genuína de muitas formas, abrindo as portas para alguém que cuidou a grande parte de sua vida, porém o caminhar da história mostra que não necessariamente era uma criatura, simplesmente, “cheia de amor para dar”, por assim dizer. Sim, é fato que a personagem Rose é, indubitavelmente, alguém que abraça a todos que ama, se disporia a cuidar de todos que lhe solicitassem ajuda... mas... seria possível que estivesse tentando compensar algo, de alguma forma, erros, grandes aos seus olhos, cometidos no passado? Seria possível que sua grande dificuldade em afastar, posteriormente, de sua melhor amiga de sua casa, tivesse algo a ver com o conhecimento extenso que tinha sobre ela?
Rose e Polly são amigas desde a infância, passando a viver juntas a partir da adolescência. Uma amizade próxima, intensa, carregada de atos pouco “ortodoxos”, como uso de drogas, e um conhecimento mútuo uma da outra, que por nenhuma outra pessoa poderia ser desmistificado. Muito bem elas se conheciam; na verdade, sabiam de tudo uma sobre a outra.
Polly sempre fora mais expressiva, despojada, pouco se importando com o que pensariam as outras pessoas sobre suas atitudes; era simplesmente ela e pouco importava. Notável que, de muitas formas, se colocasse no centro do mundo, o que claramente permanece conforme se passaram os anos, com sua atitude displicente no que diz respeito aos filhos, ao seu sofrimento e os cuidados para com eles. Não havia arrependimentos. Havia desculpas, mas sempre justificadas; nunca existira um arrependimento essencial, pois seus erros, em sua concepção, eram justificados. Havia certezas e uma clara imaturidade de sua parte em todos os âmbitos de sua vida. Essa sempre foi a impressão que passava em suas atitudes.
Rose, muito pelo contrário, aparentava viver para o sentimento de culpa, de necessidade de cuidado para com os outros. Havia seus momentos de diversão e prazer nos anos de jovem, antes de se casar, porém, claramente, a história se desenvolve com a sua clara necessidade de redimir seus erros, seus anos de libertinagem. Não é uma vida leve, um sentimento leve; e, por mais que existisse a tentativa de compensar os seus erros, esses continuavam a ocorrer. Ocorriam repetidas vezes, ao menos em sua mente, em seu coração e, vez o outra, em seu cotidiano. Não era perfeita; cometia erros, sofria por eles... e tinha medo de Polly.

Novamente, uma situação tão comum, que poderia ter acontecido com qualquer criatura, toma um rumo diferenciado. Talvez “diferenciado” não seja a palavra, mas, quem sabe “fora do esperado”? Um lar cheio de amor, tranquilo, estável, com seus conflitos naturais [porém superáveis], de repente começa a se desestabilizar com a chegada de uma família [uma viúva e dois filhos]. Pequenas atitudes iniciais sempre fizeram parte da personalidade de Polly, as quais passaram de forma bastante compreensiva por Rose e, por consequência, começaram a desencadear desavenças com seu marido e conflitos e dificuldades no que dizia respeito aos filhos da amiga. Até tal ponto poderia ser algo esperado. Os conflitos são esperados, são naturais, especialmente no que diz respeito a colocar uma família dentro da sua casa, que, agora, tem como chefe uma viúva emocionalmente instável.
E quando tudo começa a perder o rumo? Quando as rédeas de sua família se soltam por entre seus dedos? Estranho de se ver algo tão sólido ser, gradativamente, de uma forma até mesmo MUITO discreta, destruído. Seria natural de qualquer criatura se enraivecer, acreditar que determinadas situações ocorreram devido à atitudes impensadas, despreocupadas e imaturas... mas até que ponto alguém é, efetivamente, “desmiolada”? Até que ponto você acredita, e Rose acreditava, que tudo fazia parte dos acasos da vida?
O desconforto começou a tomar conta de Rose, desejando colocar um ponto final àquela situação, pois independente de terem a ver com Polly, as suas dificuldades, era mais uma complicação no seu dia a dia [já que poderia considerar sua personalidade e os dois filhos pouco educados].
Era estranho como não conseguia... ou não se deixava conseguir. Tinha medo de Polly? A impressão passada é de que Rose tinha tanto receio de que Polly falasse algo sobre sua vida ao marido, que não conseguia colocá-la para fora de sua vida. E sempre vinham os conflitos internos: Polly não faria mal a sua melhor amiga; Polly tinha muitos defeitos, mas sempre fora fiel; Polly só precisava de uma chance; jamais colocaria Polly, sua melhor amiga, quem a salvou da morte, na rua... o que poderia dizer Polly a Gareth [seu marido] se a colocasse para fora?
Quando Rose se vê desesperada, fora de controle, em pleno sofrimento, Polly reergue-se de seu luto pelo marido e passa a ajudá-la dentro de casa, começou a ajeitar sua vida profissional, mostrar-se mais prestativa e grata à amiga e a sua família. O que poderia ser tão confuso?
Quem está perdendo a cabeça? Quem está sendo manipulado? Até que ponto alguém é inocente ou culpado?




E olha eu: nunca fiz uma resenha com tantas perguntas juntas. Nunca perguntei tanto! Mas é exatamente essa a questão do livro: tudo é uma grande incógnita até o final, pois a leitura não dá espaço para certezas. Joga constantemente com a especulação, com os erros e acertos, com as possibilidades acerca de todos os personagens, de forma que, confesso, foi muito difícil fazer essa resenha sem entregar a história inteira. Aí me pergunto: eu falei demais?
Contei um pouco da história, como tudo acontece, mas falei em excesso?! Hahaha. Nem mesmo sei dizer isso, porque são tantas ideias sobre o livro, tantas possibilidades e pensamentos sobre, que fica muito difícil coordená-las. Posso dizer que essa foi a resenha mais difícil que fiz e até peço desculpas caso alguma coisa tenha escapado demais ou não tenha me feito compreender de maneira plena. Espero que tenha ficado bom, porque foi um esforço hercúleo para poder escrever alguma coisa decente! Ù.ú
Queria falar mais, mas tenho medo de entregar o jogo! Certas coisas só podem ser faladas quando as pessoas já leram o livro. Definitivamente preciso de uma roda de debate para o "Cuco". o.o
Essa não é uma história comum. Essa é uma situação comum, em uma casa comum, em uma família comum, que acaba levando a um dos suspenses mais interessantes que já li, apesar de não ser declaradamente um suspense. Por que, afinal, uma relação familiar ou de amizade, sem maldade anteriormente, poderia levar a uma situação tão dramática?
Esse livro me deixou TÃO EMPOLGADA, MAS TÃO EMPPOLGADA, que só conseguia falar sobre ele! Você passa o livro inteiro tentando saber o que está acontecendo, quem está certo, quem está errado, tentando desvendar motivos dos dois lados ou a ausência deles. Vou ser bem sincera que as últimas 150 páginas li desesperadamente e nem dormi! Sabe quando você tem de fazer coisas no dia seguinte e não está em aí?
Céus, é muito prazer poder viver esse tipo de situação novamente! Essa empolgação, o desejo de continuar lendo de forma desesperada! Foi assim que me senti ao longo de todo o livro, pois, até o final, você não sabe o que realmente está acontecendo. É uma leitura extremamente intrigante e surpreendente, especialmente pelo fato de nunca ter ouvido falar nessa autora.
Esse livro foi comprado na Bienal do ano passado, no stand da Novo Conceito. Sou dessas que gosta de entrar no lugar, ficar olhando, procurando alguma coisa que possa encher os meus olhos e a sinopse, exatamente igual a essa que foi colocada aqui, mais acima, me deixou bastante intrigada. Por um instante, depois que comprei, pensei que, talvez, não fosse tudo o que pensava dele, mas é e muito mais, na verdade.
Com certeza esse livro foi para o grupo dos favoritos! Ele merece.

ELE MERECE! ELE MERECE!



Com todo o meu amor, eu lhes recomendo o “Cuco”. Um grande livro, um grande nome e uma grande metáfora para aqueles que o leem; a denominação não poderia ser mais inteligente.



Beijinhos e até a próxima resenha desesperada! <3


Título: Cuco
Autora: Julia Crouch
ISBN-13: 9788581630229
ISBN-10: 8581630227
Ano: 2012
Páginas: 464
Editora: Novo Conceito
Compre aqui: Saraiva | Amazon
Classificação:






Sobre a autora:


Após graduar-se na Universidade de Bristol, Julia Crouch passou dez anos criando, dirigindo e escrevendo para o teatro. Ela é web designer e ilustradora, e produziu três livros ilustrados para crianças e muitas histórias para adultos. Mora em Brighton com seu marido, o ator Tim Crouch, e seus três filhos. Cuco é seu primeiro romance.

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11 comentários:

  1. Que resenha mais empolgada! É tão bom lermos um livro assim né? que nos deixam estasiados e só falando sobre isso. Acho que nunca mais li nada assim, estou precisando e quem sabe não é o cuco? A história em si não me chama muito atenção, mas depois do que você falou vou procurar saber mais sobre ele e quem sabe ler. Beijos

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  2. Que resenha maravilhosa! Senti tanta intensidade por suas palavras que imagino que o livro também se desenvolva nessa vibe. Não lembro de já ter lido alguma resenha sobre essa obra, mas com certeza a sua me deixou bastante interessada em conhecer mais. Parabéns!
    Bjim!
    Tammy

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  3. Olá,
    Não curti muito a capa, mas amei a sua resenha e fiquei curiosíssima em relação ao livro. Parece muito bom e envolvente.
    Amei a resenha!
    Bjs

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  4. Olá
    Né, tem uns livro que a gente gistatia que fosse novela da globo (eu mesma não acompanho XD), que todo mundo assiste entao você pode ficar horas dicutindo sobre Aquele Detalhe.
    Tenho muita curiosidade com esse livro, e lendo noticias por aí, descobrimos que tem muito Cuco por aí, e eu fico pensando: como pode?

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  5. Oiii, tudo bem?
    Eu realmente não conhecia esse filme e realmente amei cada detalhe da sua resenha, além do mais parece ser um livro cheio de suspense e dica super anotada.
    Beijinhos

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  6. Já pela capa e título já sei que posso gostar do que vou encontrar no livro.
    É a primeira vez que vejo alguém falar dele, consequentemente a primeira resenha e fiquei encantada! Eu também adoro ficar fuçando livros por aí ♥ e sempre acabo achando algo maravilhoso, como aconteceu com você. Vou já caçar esse livro para conferir.

    Raíssa Nantes

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  7. OMG PRECISO LER! Adoro livros que nos prendem assim, até descobrirmos as respostas para tudo, adorei mesmo, sua resenha ficou perfeita!

    http://www.leitorasvorazes.com.br/

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  8. Olá,

    Por essa capa e esse título, eu nunca imaginaria que se trataria de uma história tão fascinante quanto relatado na sua resenha. Sua empolgação para com a obra ficou nítido na sua resenha, e me deixou bem curiosa, confesso. Ainda não tinha ouvido falar no livro, mas depois de uma resenha dessa como perder a oportunidade né?

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com.br

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  9. Sabe que eu fiquei me perguntando um monte de coisas só com a sua resenha, e imagino que seriam muito mais perguntas com o livro. Só vejo elogios à ele, mas ainda não me rendi a leitura, mesmo tendo ele na estante desde o lançamento..rs
    Acho que, se eu estiver certa na minha linha de pensamento o título meio que estraga um pouco as coisas. quer dizer, quem conhece a história do Cuco é meio que impossível não pensar para que caminho a coisa irá seguir...ou será que esse é só um jeito de enganar o leitor e o deixar com mais uma pergunta???
    Beijinhos,
    Lica
    Amores e Livros

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  10. Ola Bell lindona menina depois dessa sua resenha empolgante, fiquei muito curiosa com o livro, quero saber tudo e responder as 1000 perguntas, não conhecia o livro e já vou pesquisar para comprar, ótima resenha. beijos

    Ian tbm ontem febre de quase 40 , garaganta inflamada , ai para ajudar pernilongo picou deu alergia, hj volto ao hopsital

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  11. Oie
    faz tempo que estou curiosa por esse livro, adoro esse tipo de gênero que mostra obsessões, espero poder ler em breve e gostar, sua resenha ficou ótima

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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