Resenhas

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

:: Resenha 250 :: "Cujo", Stephen King





Sinopse: Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz novamente. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet, todas as noites. Você pode me sentir mais perto… cada vez mais perto. Nos limites da cidade, Cujo – um são Bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber – se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.






Tá bom, tá bom! Vamos começar a resenha.....


Então coleguinhas, a primeira vez que tive contato com essa obra do titio King, foi através do filme em meados dos anos 80. A adaptação, foi dirigida por Lewis Teague e foi realizada em 1983 para ser mais específica. E a titia Grá só foi assistir perto do final dos anos 80, com os amigos, quando o filme, que já tinha sido liberado para a tv, se encontrava naquela parada igual Lagoa Azul, sabe? Vira e mexe o filme era transmitido. =P

 Eu e coleguinhas assistindo Cujo, reparem como assistimos de boa as cenas tensas...

Bom, essa experiência só me fez ficar (por um bom tempo) com um medo absurdo de São Bernardo, mas graças ao bom senso e a “maturidade”, hoje posso dizer tranquilamente que consigo de boa, no momento em que avistar um São Bernardo, cruzar a rua sem gritar. =P


Bom, a maioria sabe que o titio King tem dezenas de livros de sucesso de terror e que várias histórias suas são adaptadas para o cinema. Então quando a nossa querida parceira, Companhia das Letras, me mandou de cortesia o lançamento da Suma de Letras, eu pirei! Pois finalmente iria ler aquela adaptação cinematográfica do imenso cão da raça São Bernardo, que geral conhece por ser aquele cão de resgate e salvamento de pessoas em regiões abaixo de zero, e que tem aquela parada de um pequeno barril no pescoço, virar um monstro assassino e com os olhos vermelhos, num aspecto extremamente ameaçador. Hahahaha o sonho de qualquer garota é ver aquele que é considerado o melhor amigo do homem, se transformar em um quase cão do inferno.

Enfim, deixando o “sonho” de lado, logo no começo vamos ver um pouco da história de um policial chamado Frank Dodd, que acabou virando um serial killer e tocou o terror na cidade de Castle Rock durante anos. Ele tinha distúrbios mentais e sexuais e quando descoberto, tirou a própria vida. Consequentemente, acabou virando um tipo de lenda urbana para assustar crianças, no intuído de colocá-las na linha.

“Ele está lá fora e, se você não se comportar, pode acabar vendo o rosto dele na janela do quarto, depois que todos na casa já estiverem dormindo, menos você. Pode ser o sorriso dele espiando você do closet na calada da noite, com o sinal de PARE que ele levantava para que as criancinhas atravessarem a rua em uma das mãos e a lâmina que usou para tirar a própria vida na outra... por isso, shhh, criança...shhh...shhh.”

Depois vamos ser apresentados à família Trenton. Uma família composta pelo pai, Vic, a esposa, Donna, e seu filho de quatro anos, Tad. Um garoto que está tendo uma grande dificuldade para dormir. Ele jura que tem algo no seu armário e que é um monstro, mas seus pais (como a maioria faria) acabam tentando mostrar para a criança que a parada não existe e que é pura imaginação. O problema é que a tal imaginação tá sapateando no medo do Tad e tá sendo bemmmmm, bem filha da mãe.

"Eu disse a você que eles iriam embora, Tad. É o que sempre fazem, afinal. E é aí então que eu volto. Eu gosto de voltar. Gosto de você, Tad. Acho que agora vou voltar todas as noites e cada vez estarei mais perto de sua cama... um pouco mais perto... até que chegará a noite em que, antes que possa gritar, você ouvirá uma coisa rosnando bem pertinho de sua cama, Tad, e essa coisa serei eu, que saltarei e comerei você, então, passará a estar dentro de mim."

E entre esse tempo de monstros no armário e conflitos conjugais bem tensos, acabamos conhecendo o tal Cujo, o cachorro do Joe, e o mecânico que iria consertar o carro de Donna. O cão é um imenso São Bernardo, e que era bem de boa até caçar um coelho nos campos ao redor da família Trenton, e ser mordido por um morcego infectado com raiva. E consequentemente, virar o tal vilão do livro, uma besta cujas ações estão além de seu controle.

Olá, meu nome é Cujo! É um imenso prazer conhecer você, e posso dizer que estou louco para "brincarmos" juntos!

Sendo assim, a coisa complica quando o cachorro começa a ficar "demonhado" e a matar as pessoas. E a insinuação que Cujo talvez tenha sido possuído por Frank e que é ele que está assombrando a casa da família Trenton, é um dos pontos do livro. 

Ao longo da leitura, vamos vendo os personagens participando de eventos tensos e cheios de terror, que faz você não conseguir parar de ler mesmo com medo, pois a transformação de Cujo nos faz ver o quando titio King é bom na bagaça. Sério! Conseguimos ver o seu grande dom de narrativa ao nos mostrar como o amável e grande cão se transformou em um assassino cheio de raiva. E a grande ironia, no meu ponto de vista, é que mesmo eu achando a narrativa dele impecável nesse livro, pois foi escrito durante o período tenso de abuso em drogas e álcool do titio King, eu confesso que fiquei surpresa quando li esse fato e acho que isso aconteceu com ele também, uma vez que (palavras deles), nesse livro, ele se lembra bem pouco dos momentos da escrita e que essa parada é um de seus desgostos. E a partir dessa confissão, podemos ver que mesmo que durante esse período tenso, a sua capacidade em construir a brutalidade, o ritmo dos acontecimentos e a agonia dos personagens ainda continua foda. 

Ele conseguiu manter a história sem perder a mão, mesmo durante o processo alienado em que ele se encontrava. Cujo acabou sendo, em minha humilde opinião, um tremendo livro de horror. Onde vemos o amável e grande cão se transformar em um assassino cheio de raiva. Posso dizer que é assustador e fascinante ao mesmo tempo. Ah, e eu não posso esquecer também de como King nos apresenta os personagens das duas famílias principais. É uma constante corrida de palavras nos arremessando ao conhecimento de  personagens e  suas ”falhas” reais. Eles estão quebrados de alguma maneira, o que acaba criando em nós, aquele efeito de estar numa montanha russa, cheia de emoções chocantes e intensas. Então a real é que, a história não se trata apenas de um “personagem” brutal, mas sim de vários personagens que estão tentando lidar com seus problemas e demônios internos. São situações tensas e emocionantes que acabam cruzando com a violência existente em forma de cão, e que está todo trabalhado em sair rasgando a carne de suas vítimas e sentir o sabor delas em sua boca.



Esses gifs foram tirados do filme e conta a parte claustrofóbica em que Donna e Tad estão presos dentro do próprio carro com pane mecânica, em frente a oficina de Joe. Mãe e filho estão isolados, sem ter como fugir porque o carro morreu e ainda tendo que lidar com o feroz cão, Cujo, que tá louco para matá-los. Foda, amiguinhos,bemmmmmmm foda... 

“Antes que se desse conta, sua mão já procurava a alça da porta do carro. Sentia o coração disparar e o latejar que sentia na cabeça acelerar. Por favor. Tudo já está bem ruim sem o pensamento da claustrofobia... Por favor... Por favor...Por favor... Já estava novamente com sede. Uma sede terrível. Olhou lá para fora e viu o animal sempre olhando atento para ela. A rachadura na janela fazia com que seu corpo parecesse cortado ao meio.”


Enfim, também vamos ver que essa história terá conexão com alguns personagens do livro The Dead Zone (Zona Morta), em que o xerife George Bannerman pede ajuda para John Smith, que tem a capacidade de descobrir passados e futuros apenas tocando pessoas e objetos. Portanto o xerife vai atrás do personagem principal de Zona Morta, para ele ajudar a pegar o tal serial killer de Castle Rock, o Frank Dodd. Mas relaxa, mesmo você que não leu Zona Morta, dá para ler o Cujo de boa, até porque no começo do livro, King nos dá uma rápida explicação sobre Frank Dodd. E mesmo não sendo totalmente explícito no livro, de que Cujo talvez tenha sido possuído por Dodd e que Dodd está assombrando a casa da família Trenton, definitivamente vemos sugestões a partir de alguns situações.

(...) Só que o tempo passou. Cinco anos no total.
O monstro se foi, o monstro estava morto. Frank Dodd apodreceu no caixão.
No entanto, monstro que é monstro nunca morre. Lobisomem, vampiro, carniçal, criatura sem nome de terras arrasadas. Monstro que é monstro nunca morre.
Ele voltou a Castle Rock no verão de 1980. 


Cujo é um romance de terror mais apertado e mais eficaz, ele é cruel e muito perturbador. Deixa uma sensação de desconforto durante a leitura e titio King não dispensa essa emoção. Aqui, ele não joga pelas regras normais. Ele certamente atinge a sua jugular com o medo muito bem aproveitado. E mesmo assim eu recomendo, até porque em algumas partes eu senti pena do Cujo. Não é culpa dele estar nessa situação, e muitas vezes durante a leitura, eu via ele como vítima, tanto quanto as pessoas que ele aterrorizava e matava. Enfim, é uma leitura que eu recomendo. Sério! Para quem é fã ou não do gênero, eu recomendo. Sem contar que essa nova edição que está com capa dura é maravilhosa. A diagramação do livro também está perfeita.

Amei demais essa cortesia. <3 


 "O medo era um monstro de dentes amarelados, criado por um Deus enfurecido para devorar os incautos e os ineptos"



Título: Cujo
Título Original: Cujo
Autor: Stephen King
ISBN-13: 9788556510259
ISBN-10: 8556510256
Ano: 2016
Páginas: 376
Editora: Suma De Letras
Compre aqui: Amazon
Classificação:

Sobre o autor: 

Stephen King é um autor de mais de cinquentas livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy),Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista de New York Times Book Review e ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da organização International Thriller Witters). Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

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11 comentários:

  1. Olá!

    Oxi, coitado dos São Bernardos, em sua grande maioria, tão doces, bobos e carinhosos, muda de lado na rua não. rs

    Li poucos livros do King, confesso que não assisti ao filme e não li o livro, e nem pretendo, apesar de bem recomendado, não lido bem com animais nesse estado. rs

    Ana.

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  2. King é ótimo, mas me falta coragem para encarar uma obra dele. É um desafio para a vida literária, mas não estou disposta a cumprir tão cedo (triste, mas real).

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  3. Olá Grá Lindona!!!!
    Não vi esse filme...na verdade, qdo era mais nova o único filme de terror q vi foi brinquedo assassino, pq minha irmã me enganou pra assistir...e fiquei um tempão com medo das minhas bonecas(q eram grandes por sinal)... Então te entendo perfeitamente, o lance entre vc e o cão São Bernardo na época do filme kkkkkkk
    Não curto o genero terror, pq sou cagona assumida kkkkk, mas preciso te dizer q Ameiii a resenha... Se não tivesse tanto medo, ia ler com certeza... Mas depois das suas palavras "cruel e perturbado" vou indicar pros amigos q gostam de terror mesmo. ;-) kkkkkkkk
    Bjs :-*

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  4. Oi Grazi!
    Como sempre, titio King ahazza né?
    Eu gosto muito dos livros dele pq ele faz constrições maravilhosas de personagens. São coisas meio que inusitadas e cruéis.
    Cujo me apavorou e ao mesmo tempo me fascinou, dá pra entender?
    Certamente lerei.
    Bj

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  5. Olá,

    Nunca li nada do King, tenho curiosidade, mas confesso que não sou muito fã de terror e bate uma preguicinha ao ver o número de páginas hahaha. Se fosse para eu ler algo dele, eu começaria por A espera de um milagre, porque é um dos meus filmes favoritos da vida <3

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com.br/

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  6. Oie!
    Eu ainda não li o livro, mas vou ficar desesperada durante essa leitura.
    Vou ficar com muito medo de cachorro, rsrs
    E ainda não li nada do autora, acredita? Preciso anotar essa dica.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  7. Oiii!

    Eu adoro os gifs no post <3
    Menina, eu vou ser bem sincera: NÃO LERIA NUNCA! eu sou uma grande medrosa e tenho certeza que depois desse livro eu teria medo até mesmo de um poodle hahahaha.
    Mas eu gostei da resenha e de saber que suas expectativas foram supridas!

    beijinhos

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  8. Olá
    Eu li o livro ano passado, fiz até resenha se quiser minha opinião mais completa, eu achei o livro bem legal, só achei que ele demorou um pouco para 'acontecer', mas quando acontece saí de baixo.
    Gente essa edição da Suma está um arraso de linda *_*

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  9. Olá, tudo bem? Queria tanto não ter medo para ler algo do Rei Stephen King, mas confesso que não curto qualquer literatura que tenha suspense, terror, massacre e sangue no meio. Sim o medinho fala bem alto hahahaha Adorei sua resenha, os gifs também, mas a dica não é para mim.
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

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  10. Prefiro continuar considerando São Bernardos cachorros bonzinhos, e esse livro não me atraiu em nada... Para mim, é impossível algo ser assustador e fascinante ao mssmo tempo, porque considero coisas opostas... Rs... Não curto horror, nem terror, nada que me assuste nem me deixe desconfortável e, principalmente, nada que possa me deixar neurótica ou me dar pesadelos, e esse livro acho que atende a todos esses pontos... Ou seja, melhor não ler.

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  11. Oi Grazi, sua linda, tudo bem?
    Não acredito que ele fez isso!!! Nossa, ele destruiu a imagem que todo mundo tem do bondoso São Bernardo. Como ele teve coragem de transformá-lo em um monstro??? Achei bem interessante essa insinuação da dúvida de ele estar possuído ou não. O que eu não entendi foi porque não pegaram ese cão, se ele está com raiva ou possído, o fato é que ele é um risco para a população, alguém te que fazer alguma coisa. Eu não sou fã desse autor, pois não me acostumo com a narrativa dele, mas para quem gosta parece uma boa leitura. Gostei muito da sua resenha!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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