Resenhas

quarta-feira, 28 de junho de 2017

:: Resenha 302 :: "Esplendor da Honra", Julie Garwood


Sinopse: Na corte inglesa medieval, a amável lady Madelyne sofre com os caprichos de seu perverso irmão, o barão Louddon. Para se vingar de um crime revoltante, o barão Duncan ataca as terras de Louddon com seus guerreiros. Madelyne foi o prêmio que ele capturou, porém, ao contemplar a orgulhosa e bela dama, ele jura arriscar sua vida para protegê-la. Apesar de seu tosco castelo, Duncan demonstra ser um gentil cavalheiro. Mas quando, afinal, a nobre paixão domina a ambos, Madelyne se entrega com toda a alma. Agora, por amor, Madelyne enfrentará qualquer coisa, tão corajosamente quanto seu senhor, o poderoso e combativo Lobo.

Eu acho que já comentei isso na minha resenha de Um amor para Lady Johanna, mas eu vou repetir para não sobrar dúvidas. É muito bom ler um romance de época que foge da fórmula: época vitoriana + mocinha passando da idade de casar + (inserir um título de nobreza) libertino que se apaixona perdidamente pela mocinha.
Aí vocês podem me cobrar com a seguinte afirmação “Mas Tali, você leu Julia Quinn, Mary Balogh e Stephanie Laurens, entre outras. Você as resenhou e falou que gostou muito desses livros que seguem essa receita!” Sim, eu li e eu gostei, mas gostar de uma coisa não exclui gostar de outra e muito menos exclui a maravilhosa sensação, o frescor, o prazer de fugir da receita de bolo e ser transportada para uma época diferente, para costumes diferentes e é exatamente isso que eu procuro quando vou escolher um romance não contemporâneo, ser levada para outra época.
E concorda comigo que ir sempre para a mesma época fica chato? Então, meus amores, se você quer ir para uma época bem distante e ser guiada com maestria nessa viagem, grave esse nome: JULIE GARWOOD!
Quer saber por quê? Leia a minha resenha.

Esplendor da Honra acontece na Inglaterra de 1099, sim você leu certinho, eu disse Inglaterra de 1099. Para quem faltou as aulas de história (ou tem memória curta, como eu), essa é a Idade Média, que vai do século V ao XV, onde o sistema era o do Feudalismo. O Rei cedia terras aos nobres e esses lhes juravam fidelidade. Por sua vez, os nobres cediam as terras aos vassalos que em troca de morar, plantar e tudo o mais naquela terra, deveriam jurar fidelidade aos nobres, e o Clero (igreja) exercia muito poder e possuía muitas riquezas (beijo Wikipédia).
Essas relações são fundamentas para o entendimento da história, porque não é complicado enxergar que existiam rivalidades entre a nobreza. O statos vinha da terra e quanto mais terra, mais poder e isso fazia muitos barões serem inimigos, mesmo todos tendo jurado fidelidade sobre um mesmo Rei que servia como mediador dessas disputas.

Ele não parecia ser o tipo de homem que ria - que sorria sequer... Ele parecia tão duro e impassível quanto sua posição determinava. Era acima de tudo um guerreiro, um barão, e ela deduziu que o riso não tinha lugar em sua vida.

É nesse cenário que vamos conhecer o barão Ducan de Wexon. Ao abrir o livro ele se encontra preso a um poste, sem sua armadura, deixado para morrer congelado pelo terrível barão Louddon (dica, odiar esse homem tá mais do que liberado), e como já dá pra perceber, Louddon é um covarde articulador que deseja se livrar do seu inimigo armando uma morte que não seria ligada a ele. Mas a sua meia irmã Madelyne, cansada dos maus tratos que o irmão a impõem, ajuda Ducan a se libertar. Tendo sido criada longe de Louddon, Madelyne é inocente até dizer chega. Uma menina criada pelo tio, um padre por anos após ser literalmente esquecida pelo pai e irmão. Ela leva Duncan até uma capela onde aquece os pés dele com o próprio corpo e ele fica abismado com a atitude dela.

A expressão no rosto dele lançou uma descarga gélida de medo em sua coluna. Sacudiu a cabeça, negando o que estava acontecendo.
E, então, o guerreiro falou;
- Não vim atrás de Louddon, Madelyne. Vim atrás de você. 

Mas aí que vem uma pequena virada. Duncan se deixou capturar por Louddon, pois o seu objetivo era entrar na fortaleza e vingar a sua irmã caçula, Adela. Para isso, seu plano é justamente sequestrar Madelyne. Sem entender muito bem as atitudes dela, ele a leva para a sua própria fortaleza e já no caminho a relação dos dois vai se formando e logo Duncan percebe que Madelyne, com sua inocência, seu humor estranho e seu jeito adoravelmente desajeitado, é o completo oposto do seu irmão e jura proteger ela das maldades de Louddon. E o que seria uma relação de prisioneira e captor se torna algo que vocês já sabem, né meus amores, a história aqui é romance, não é nenhum mistério que os dois vão se apaixonar!

Madelyne decidiu naquela hora mesmo que Duncan arrancava o pior dela. Como mais poderia explicar sua súbita e sobrepujante necessidade de gritar com ele? Sim, ele incitava o lado negro de seu caráter a vir à tona. Afinal, ela nunca, jamais gritava com ninguém. Era uma mulher afável, dotada de um temperamento doce e equilibrado. Padre Berton dizia-lhe isso com bastante frequência.

Com doses muito bem equilibradas de romance, aventura (e lindas descrições de batalha, Duncan é um dos melhores guerreiros do Rei), comédia e intrigas na corte do Rei Guilherme, Esplendor da Honra é um daqueles livros que têm que ser lido! Foram muitos momentos deliciosos de ler, a interação da Madelyne com os irmãos do Ducan ou quando ela tem febre e confunde a realidade com a jornada de Odisseu, acertando um soco no olho do irmão do Ducan, é de rolar de rir! Ainda mais quando ela não faz ideia do que foi capaz! Aliás, esse é o charme dela, ela é capaz de muitas coisas e é uma mulher muito forte, mas os abusos sofridos pelo pai e pelo Louddon a fizeram não acreditar em si mesma e ver ela desabrochar é delicioso.

Duncan a ouviu. Um sorriso lento se formou em seu rosto. O que Lady Madelyne desejava não era importante para ele. Sim, ela lhe pertencia agora, quisesse ou não.

A ambientação histórica, como eu já disse antes, é outro dos grandes atrativos da autora. Não só por usar uma época diferente do que se é tão comum hoje em dia, mas por usar personagens reais para enriquecer a sua narrativa, já que o Rei Guilherme II e seu irmão Henrique foram personagens reais e parte do que aconteceu com eles é contado no livro (não vou falar porque é importante para o final da trama). A Julie nos leva para a Idade Média, com detalhes e perfeição, os personagens são apaixonantes e você lê muito rápido, eu sei que essa é uma informação que se usa muito hoje dia, mas eu juro que dessa vez é verdade, eu li as 416 páginas em dois dias e meio (uma terça, meia sexta e um sábado). 

— Não ouse instruí-lo a me obedecer, Madelyne, ou que Deus me ajude, mas vou agarrá-la por esses cabelos ruivos e tapar sua boca.
Madelyne emitiu um gritinho de ultraje. Duncan ficou sastifeito, pensando que sua declaração ríspida a tivesse feito perceber sua situação vulnerável. O seu objetivo era a submissão dela. Isso mesmo, desejava que estivesse dócil para o que estava para acontecer. (...)
— Como ousa me insultar?Meus cabelos não são ruivos, e você sabe muito bem disso. São castanhos! - berrou.- É de mau agouro ter cabelos vermelhos, e os meus não o são.

Agora se nada disso ainda não te convenceu a ler Esplendor da Honra, eu tenho o argumento final. No Goodreads, uma rede social só para leitores que é em inglês e por isso tem alcance mundial, existe uma lista dos melhores romances medievais e dos 10 primeiros lugares, 8 livros são da Julia Garwood. Em 10, 8 livros são dela. Como eu disse lá no começo da resenha, gravem esse nome: JULIE GARWOOD, porque ele é sinônimo de um romance de histórico maravilhoso. E repararam que eu falei histórico? Pois é, já estava fechando essa resenha quando a Bia me falou que, como esse romance tem personagens e fatos reais, então ele é um romance histórico e não de época.


Nome: Esplendor da Honra
Autora: Julie Garwood
ISBN-13: 9788550301372
ISBN-10: 855030137X
Ano: 2017
Páginas: 416
Compre aqui: Saraiva
Classificação:

Sobre a autora: 

A obra de Julie Garwood está traduzida em cerca de trinta países. No conjunto são mais de trinta milhões de livros vendidos e dezessete títulos entre os mais vendidos do New York Times. É uma das escritoras que os Norte-Americanos mais apreciam e acarinham. A sua reputação de excelente contadora de histórias baseia-se na capacidade para criar narrativas com personagens cativantes, emoções fortes e enredos com reviravoltas surpreendentes. Os seus leitores dizem que é o humor, bem como a força das suas histórias, que os entretém e os faz rir e chorar. Tem três filhos e vive com o marido em Lenwood, Kansas.

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4 comentários:

  1. Oi Talita, já nem preciso ser convencida, pois li e amei demais essa história, assim como resenha, se já não tivesse lido iria correr pra ler rsr. Eu concordo contigo que sempre há espaço no coração para as diversas épocas que houveram na história e que nos rendem romances lindos, assim curto os romances da Júlia, tanto quanto curti os da Julie Garwood e tô de dedos cruzados pra Universo trazer outros livros dela pra nós :)

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  2. Hey ^^
    Tenho orgulho de te dizer que já li esse livro !! É tão maravilhoso !! Perfeito !❤
    Concordo com você, livros da Julie é sinônimo de um romance arrebatador !!
    Livro super recomendado ♡

    Bjo😘

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  3. Olá,
    Não li ainda esse livro mas desejo em ter-lo em minhas mãos. A história realmente é maravilhosa, incrível, naquela época realmente era assim, posso não entende muito história mas lembro pouco, é sempre bom nos transporta pra outros lugares maravilhosos.

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  4. Olá Tali!!!
    Adorei a resenha e fiquei tão animada, como quando li a do primeiro livro... Quero muito ler os livros dessa autora, q são tão elogiados e até agora, não tive a oportunidade de ler nenhum... Principalmente, pq vai ser um genero novo pra mim... "Romance Histórico", já estou mais q #ansiosa pra conhecer!!! Torcendo muito, pra q não demore a tê-los Kkkkk
    Quero conhecer essas "mocinhas de época", fora de época ;-)
    Bjs :-*

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