Resenhas

segunda-feira, 31 de julho de 2017

:: Resenha 309 :: "A Grande Ilusão", Harlan Coben

Sinopse: Maya Stern é uma ex-piloto de operações especiais que voltou recentemente da guerra. Um dia, ela vê uma imagem impensável capturada pela câmera escondida em sua casa: a filha de 2 anos brincando com Joe, seu falecido marido, brutalmente assassinado duas semanas antes. 
Tentando manter a sanidade, Maya começa a investigar, mas todas as descobertas só levantam mais dúvidas. 
Conforme os dias passam, ela percebe que não sabe mais em quem confiar, até que se vê diante da mais importante pergunta: é possível acreditar em tudo o que vemos com os próprios olhos, mesmo quando é algo que desejamos desesperadamente? 
Para encontrar a resposta, Maya precisará lidar com os segredos profundos e as mentiras de seu passado antes de encarar a inacreditável verdade sobre seu marido – e sobre si mesma.

Oi, amoras e amores. Um seguidor mais direto do nosso blog vai lembrar que tem pouco tempo que eu dei uma surtada aqui no blog com o anúncio da publicação de A Grande Ilusão, de um dos meus autores favoritos no segmento policial, Harlan Coben. E me desculpem os amigos, ele só perde por muito pouco para o John Verdon (para saber porque, por favor leia Não Brinque com Fogo e depois vem falar comigo!). Mas voltando ao assunto, Harlan é um mestre do suspense policial, isso é inegável, e o seu mais recente lançamento no Brasil, A Grande Ilusão é uma prova disso. O melhor? É livro único, então se você nunca leu nada dele, pode muito bem começar por aqui e já aviso, vai ter noites mal dormidas porque quando a trama pega fogo é impossível largar!

A Grande Ilusão começa com a nossa protagonista, Maya, no funeral do seu marido, Joe, que fora morto em um assalto, três dias antes. Com uma filha de 2 anos para cuidar e tendo perdido a sua carreira militar e sua irmã há pouco tempo, Maya ainda tem que lidar com os sintomas do Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) e se você acabou de visualizar uma mulher em pedaços ou desesperada, pense de novo, porque se tem uma palavra para descrever a Maya, é a sua frieza. Seu treinamento militar e tudo que passou recentemente, como o fato de ter sido afastada quando uma missão que deu errado e causou a morte de civis foi exposta, faz a Maya ser aquela protagonista dura na queda, que encaixa perfeitamente na trama criada pelo Harlan.

"Você vai para um inferno do outro lado do mundo para enfrentar o demônio em pessoa. Pensa que o perigo está ali, e só ali, na artilharia inimiga. Pensa que a desgraça pode chegar a qualquer momento na forma de uma granada RPG, de uma bomba caseira ou de um fanático empunhando um fuzil AKM. Mas não. A desgraça, tal como geralmente faziam as desgraças, havia atacado de onde ela menos esperava: da boa e velha casa, os Estados Unidos da América."

Quando Maya chega do enterro do seu marido, sua amiga Eileen a presenteia com uma câmera secreta, disfarçado em um porta-retrato, para que ela pudesse vigiar a sua filha com a babá. Uma menina que é filha da ex babá do seu falecido marido e vamos descobrindo ao longo da narrativa que a família do Joe, os Burckett, são extremamente ricos e esnobes e a Maya se sente uma intrusa na família. Pesando todos esses fatos, Maya acaba decidindo usar a câmera para poder vigiar sua filha Lily com a babá Isabela.

"O fantasma da morte persegue você, Maya."

É essa câmera que acaba gravando a grande motivação que dá o pontapé inicial da trama. Um belo dia, depois do trabalho, Maya vai verificar a gravação e acaba assistindo que a filha brincou com um homem, que usava uma camisa verde-floresta idêntica a do seu marido, e quando a câmera pega o rosto desse homem… é o Joe! E é assim que a porca torce o rabo, porque o Joe está morto, Maya estava com ele durante o assalto e quando vai confrontar a babá sobre a gravação, a garota a ataca e foge com a prova das imagens.

"Empresários mentem e roubam. Governos mentem e roubam. Cartolas do esporte mentem e roubam. A gente pode fazer muito pouco. Mas imagine um mundo em que nada disso acontecesse. Imagine um mundo em que todos são obrigados a prestar contas dos seus atos. Imagine um mundo sem abusos e segredos."

Como eu disse, Maya é dura e até mesmo fria, pela filha é capaz de tudo, então ela não perde tempo em investigar essa gravação. Para piorar, logo se descobre que a mesma arma que foi usada na morte da irmã da Maya, Claire, é a mesma que foi usada com o Joe. Logo as mortes estão ligadas, e como Claire foi torturada antes de morrer, esses crimes não são mais do que simples assaltos e a Maya não vai medir esforços para descobrir o que está acontecendo e o que aconteceu com a sua irmã.

"Quem conhece de perto o inferno de uma guerra acaba vendo as coisas de outro jeito. Nem sempre de uma maneira mais óbvia, mas de outra mais sutil, uma questão de nuances e matizes. Coisas que antes tinham uma importância enorme deixam de ter, e vice-versa. Ninguém vê as coisas como você, somente os seus companheiros de tropa e infortúnio. É como naqueles filmes em que apenas o herói enxerga os fantasmas e todos os outros pensam que o sujeito ficou doido."

Prepare-se para um livro de tirar o fôlego. Se o começo é mais lento, criando um clima mais denso, quando as verdades começam a surgir fica quase impossível largar o livro e fazer outra coisa, incluindo dormir! Esse, por sinal, é o apelido do Harlan, o mestre das noites em claro, e não pense que isso é no final! Quando eu estava no capítulo 7 já estava angustiada e querendo avançar a leitura. É bem verdade que descobri o que estava acontecendo antes do final, mas, mesmo assim, quando cheguei no penúltimo capítulo, no último parágrafo, minha respiração estava acelerada porque esperava qualquer tipo de encerramento, menos aquele!

"Seria possível confiar no juízo de uma pessoa assim? Uma pessoa perseguida pela morte, uma pessoa que conseguira enganar até os seus entes mais próximos, fazendo-os acreditar que sua condição tinha origem, pelo menos parcialmente, na culpa?
De maneira objetiva, não.
Mas, por outro lado... que se dane a objetividade, certo?"

Falar que o livro é bem escrito é chover no molhado, Harlan é um mestre. O final é surpreendente, mas não é absurdo, eu odeio livros com finais absurdos que o autor saca para dizer que surpreendeu o leitor, por mais que ele entregue uma resposta para o mistério que eu acabei descobrindo ao longo do livro, não é algo dado, você pega algumas coisas e quando acaba, junta com tudo que estava bem ali, na sua cara e fala, putz, era tão claro! E essa é a especialidade do Harlan, te entregar algo crível e ao mesmo tempo emocionante e surpreendente. Se vale a pena ler A Grande Ilusão? Vale tanto que eu vou dar uma dica para vocês, se você for para a Bienal do Rio, não deixe de comprar esse livro, e se não for, não deixe de comprar do mesmo jeito e quando o fizer, passe ele na frente da fila e se prepare para perder um ou dois dias de sono!



Nome: A Grande Ilusão
Autor: Harlan Coben
ISBN-13: 9788580417234
ISBN-10: 8580417236
Ano: 2017
Páginas: 304
Compre aqui: Amazon
Classificação:

Sobre o autor:

Harlan Coben foi o primeiro autor a vencer os três prêmios mais prestigiados da literatura policial nos EUA, o Edgar Award, o Shamus Award e o Anthony Award, encontrando-se actualmente traduzido em cerca de 37 línguas e contando com mais de 20 milhões de exemplares vendidos. A crítica, desde o New York Times, ao Wall Street Journal ou ao Le Monde, tem-lhe dispensado as mais elogiosas referências.

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2 comentários:

  1. Olá!
    Quando vi esse lançamento, fique bastante curiosa pela trama, tem uma história que envolve mistério e descobrimentos. Não tinha conhecimento do autor mais ao conhecer esse livro, tive uma imensa vontade de conhecer outros livros dele e espero ler todos eles. Amei a história, é uma premissa muito maravilhosa e já está em minha lista de leitura!

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  2. Olá Tali!!!
    Ameiii a resenha!!!
    Não li nada desse autor...tb ainda não li nenhum suspense desse tipo(acho q é suspense né??kkkk)
    Mas confesso, q fico ansiosa pra ler, com tantos surtos q vcs dão sobre esse autor!!!
    Mesmo a protagonista sendo "fria", posso entender, por conta de ser mencionado a disciplina militar...E saber q te prende e não te deixa largar, de tanta curiosidade, faz com q seja a cereja do bolo, pra tentar esse gênero e esse autor...Esse livro, já vai pra "Imensa Lista" ;-)
    Bjs :-*

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