Resenhas

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

:: Resenha 351 :: "A Prisão do Rei", Victoria Aveyard






Sinopse: Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira. Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.








A breve opinião de uma mente surpreendida:




Não fiz as resenhas dos outros dois livros, de forma que a minha opinião e a da Talita, muito provavelmente, serão diferentes, mas, independente disso, posso dizer que, de muitas formas, os três livros me impressionaram e, igualmente, mudaram a impressão inicial que eu tinha pela “avaliação de capa”.
Colocando de uma forma geral, a trilogia é extremamente bem articulada, carregada de criatividade e tem algo que eu particularmente prezo muito, que é o foco menos expressivo no romance. Gosto de um romance e um toque como pano de fundo, algo mais secundário, mas, que, em algum momento, vem à tona.
Victoria Aveyard é alguém de extrema criatividade, que soube combinar – de maneira adorável e simples de ler, fluído – trama política, uma quantidade inimaginável de informações, romance, cuidado, família, amizade e personagens secundários.
Sejamos sinceros, que, hoje em dia, os novos autores têm muita dificuldade em manter esse tipo de narrativa truncada e bem escrita. A leitura hoje tende a ser mais leve – um tanto jogada, eu diria, com pouca trama intensa e mais conflitos amorosos clichês –, porém na trilogia da Rainha Vermelha existe toda uma contextualização de um mundo novo, uma realidade alternativa, com toda uma nova composição política e social.
Adorei o primeiro livro. O segundo me saiu um pouco mais arrastado, um pouco cansativo, talvez, porém o terceiro mostrou algo muito diferente dos outros: a evolução dos personagens, a forma como eles amadureceram suas ideias e comportamentos, no que diz respeito às pessoas ao seu redor e a eles mesmos.
Neste volume, Mare, por fim, é capturada pelo tão traidor de seus sentimentos, Maven, que a aprisiona na Pedra Silenciosa, que contém todos os seus poderes. Ficando completamente indefesa, e submetida às vontades do novo rei, ela, simplesmente, tem que aguardar para a movimentação da Guarda Escarlate para ajudá-la. Neste meio tempo, esta última vem se preparando, fortalecendo-se, para que possam realizar sua revolução.
Um ponto, que, de certo modo, me deixou na dúvida de gosto ao longo da leitura, foi a narrativa mais focada no personagem Cameron. Ele é um novo personagem, que surge no segundo livro, componente da Guarda Escarlate, e que toma uma parte considerável da narrativa do terceiro volume. De início, posso dizer ter sido algo que não me deixou muito contente, pois a narrativa, de alguma forma, acaba se voltando muito para esse personagem em específico e não necessariamente para a Guarda Escarlate. Talvez não me tenha sido de muito agrado por não ser um dos meus personagens favoritos, mas, ainda assim, não entendi bem o motivo pelo qual ele, especificamente, ganhou tanto destaque nas páginas. De um outro ponto de vista, que acabei pensando assim que terminei no livro, até foi algo bom, pois trouxe uma visibilidade maior para um outro personagem e, claro, uma nova forma de narrativa, de interpretação de mundo, já que os dois primeiros volumes foram narrados em primeira pessoa pela personagem Mare. Achei que a troca de narrativa valeu a pena, já que Mare foi capturada e a trama essencial, nesse ponto, é o que gira em torno dela, fora de sua mente.
Na minha opinião, esse é um problema para o narrador-personagem, pois ele não é onipresente e onipotente, e isso limita, de muitas formas, a narrativa, de maneira que é muito variável a aceitação ou não da narrativa do personagem Cameron. Acredito que esse ponto de vista é muito particular e vai do gosto de cada um, realmente. Eu... ainda estou na dúvida de para qual lado pender mais, entretanto, tem seus pontos positivos e negativos.
Uma coisa que muito me agradou, foi a maior expressividade da personagem Evangeline. Para quem leu os outros livros e a considera uma criatura desprezível, pode ganhar muita paciência, porque ela aparece mais nesse livro. Hahaha.
Honestamente, eu gosto dela. Gosto de vilões, da forma como são retratados, esquematizados, desenvolvidos, ainda que eu não veja Evangeline como uma vilã. Ela é uma personagem, que, apenas, se insere no contexto da sociedade dela, assim como a grande maioria dos outros, como nós mesmos fazemos. Não a culpo por determinados comportamentos e formas de ver as coisas. Posso dizer que, neste livro, muito nela é quebrado, muita coisa muda e muita coisa irrita cada vez mais na personagem. Parece-me muito que ainda existe uma dúvida de amor e ódio no que diz respeito a ela e isso acho sensacional!
Estou fazendo mais questão hoje de falar sobre esses dois personagens que ganharam maior destaque nesse terceiro livro, pois os outros já são bastante conhecidos, estão desde o começo na série, e, para quem leu, sabe muito bem como são. Gosto de falar sobre esses outros personagens, pois isso mostra que a autora sustentou a sua criatividade, encheu a história e não, simplesmente, deixou que caminhasse com a corrente. Isso é algo de essencial, pois, muitas das vezes, um terceiro, quarto, quinto livro, acaba sendo exaustivo, desagradável, pelo fato de que o autor não conseguiu manter uma linha firme de raciocínio.
Ainda que não seja um personagem novo, gosto de citar Cal, que, ao longo da trama, ao lado da Guarda Escarlate, acaba tendo um papel fundamental, não somente o seu desejo incansável de recuperar Mare, mas, igualmente, sobre seus conflitos internos no que dizem respeito às suas crenças e ao que deveria fazer naquela situação de rebelião.
As primeiras páginas do livro são extremamente animadoras, de forma que dão um gatilho muito bom para a continuidade dele, o que nem sempre acontece. Muitas das vezes, não necessariamente de uma forma ruim, os livros começam de maneira mais leve, dando uma base para que se inicie a narrativa, mas este já começa mais emocionante! É bom já ter aquela intensidade inicial e já começar a devorar o livro. Dava umas emperradas, quando havia foco excessivo no Cameron, mas isso faz parte do contexto, acredito eu.
Aos meus olhos, esse livro é um grande divisor de águas para os que adorarem e os que detestarão o livro. De muitas formas, em muitos momentos, ele se arrasta mais. Gosto de detalhes, de cuidado, entretanto talvez algumas informações tenham sido irrelevantes. De alguma forma é até difícil dar uma opinião nesse sentido, especialmente considerando que sou uma pessoa que presa uma narrativa bem feita, uma construção truncada, mas que não tenho paciência alguma para embromações desnecessárias.
Ao fim da leitura, pude refletir, efetivamente, sobre tudo e, talvez, as coisas devessem ter acontecido de uma forma mais intensa, talvez; digamos, um pouco mais claras. Considerando que teremos um quarto livro sendo lançado em maio de 2018 [lá fora é claro; sabe-se lá Deus quando será lançado no Brasil], é possível que seja surpreendente, que determinadas colocações sejam completamente quebradas.
Não duvido nada.
Não duvido de um livro melhor, pois Victoria Aveyard conseguiu me prender em sua leitura, admirá-la por sua criatividade, sua maneira de ver e suas criações. Independente de estar enganada ou não – afinal, qualquer autor pode decepcionar em sua escrita, pois são humanos –, não deixarei de ler o próximo livro. Ela me empolga, me anima com todo o seu mundo novo. Definitivamente é um mundo que vale a pena conhecer e acompanhar.
Quem pode ter a certeza de que esse não era o objetivo ao longo de toda a leitura?
Sempre penso por esse lado, muitas vezes, quando os livros são todos encadeados. Sempre considero a possibilidade de que tudo, ao menos parte, poderá ser explicado a seguir.
Aguardarei ansiosamente!
Não deixem de ler os três iniciais e os livros que se seguirão, porque é uma maneira muito interessante de se ver a sociedade: extremamente segregadora, maldosa e, porque não dizer, escravocrata.
De muitas maneiras, é um aprendizado.

Leiam, leiam, leiam! u.u
E beijos! XD




Título: A prisão do rei
Autor: Victoria Aveyard
ISBN-13: 9788555340277
ISBN-10: 8555340276
Ano: 2017
Páginas: 552
Editora: Seguinte
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Classificação:







Sobre a autora:


Victoria Aveyard é uma escritora americana de 25 anos, formada com BFA em Screenwriting ("produção de roteiros") pela Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles e representada pela Suzie Townsend em New Leaf Literary & Media, Inc. O livro A Rainha Vermelha, vencedor em 2015 do prêmio Goodreads Choice Awards Melhor Debut Novel, é o resultado de um difícil ano em sua vida, pois a escritora havia terminado a faculdade  e estava desempregada.
Dividindo seu tempo entre a sua cidade natal, East Longmeadow – Massachusetts e Los Angeles, ela atualmente trabalha no terceiro volume da série A Rainha Vermelha dentre outros projetos literários e também para o cinema. Fã de Game of Thrones e Netflix, tem como orgulho pessoal ter viajado de Edimburgo à Londres sem a ajuda de um GPS.

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