Resenhas

terça-feira, 24 de abril de 2018

[Série] Carbono Alterado


Deixa eu abrir um pequeno segredinho para vocês, no melhor estilo papo entre amigas: estava sem Netflix desde janeiro! E para uma pessoa que adora série, foi um período sombrio e isolado… Mentira! Eu já sabia como ver séries e filmes online muito antes de existir Netflix, porém, fiquei viciada naqueles botões maravilhosos chamados: “Assistir próximo episódio” e “Pular abertura” então, agora, que o cartão aliviou, que a vida deu uma respirada, eu voltei! Meus amigos, voltei! W wu já estava ficando louco, bora beber… Digo, bora maratonar e como eu nunca falei de série aqui no blog, vocês só conheciam meu lado leitora, por que não falar com vocês dessas minhas maratonas? Então aqui estou eu, pela primeira na história do VL, falando de uma série e se vocês acham que eu vou abrir os trabalhos falando de série da moda que todo mundo tá vendo como La casa de Papel… Pensaram errado! Tão logo eu reativei a minha conta, só pensei em fazer maratona de uma série e uma série apenas: Carbono Alterado! Vem comigo descobrir o que eu achei desse drama policial ciberpunk!
Carbono Alterado é uma daquelas séries que a melhor definição é, me desculpe o uso do bom português, “boa para um caralho”! Que viagem maravilhosa, que estilo, que trama, que loucura! Rapaz, estou impactada! Vamos a trama? Bora! Carbono Alterado acontece no século 25 e nesse futuro distante foi descoberto uma tecnologia alienígena que permite transferir a mente humana para cartuchos digitais que são inseridos no corpo, bem na coluna cervical, tipo no nosso pescoço e graças a essa tecnologia as pessoas podem simplesmente trocar de corpo, basta pegar essa capsula e colocar em uma casca nova, resultado disso: é virtualmente possível viver para sempre. 


O problema é que, como tudo nessa vida, esse tipo de tecnologia é melhor oferecida para quem tem dinheiro, ou seja, se você tem dinheiro é possível ser recolocado na mesma capa, clonada, várias e várias vezes, e assim temos os “Matusas”, podres de ricos que clona o próprio corpo para se manter eternamente jovens. Já se você é pobre, não tem a mesma sorte, e se o seu corpo morrer e você for reencapado, a capa será aquela disponível, o que já vemos no começo do primeiro episódio como pode ser estranho. Nosso protagonista, Takeshi Kovacs, era um Emissário, um grupo extremista que era contra essa tecnologia e que 250 anos antes da série começar, foi dizimado pelas forças do governo e somente Takeshi sobreviveu e foi mantido congelado por todos esses anos.


Então, por que ele foi descongelado? Acontece que um dos mais poderosos Matusas da sociedade atual foi encontrado morto, com a cabeça literalmente estourada, uma das poucas formas de se realmente morrer nessa sociedade e quem melhor para descobrir quem é o assassino, que uma pessoa com treinamento militar extremo como um Emissário? Takeshi é colocado em um novo corpo e encontra o seu contratante, a própria vítima, que conseguiu transferir a sua consciência para um back up, mas no processo perdeu as lembranças do crime. A proposta é tentadora: se solucionar o crime, Takeshi terá seus crimes perdoados e uma soma de dinheiro absurda em sua conta e só para investigar ele já recebe uma bolada. Só que nem tudo é o que parece nessa sociedade e desvendar esse crime é uma tarefa ainda mais arriscada do que Takeshi imagina e ninguém está seguro.


De verdade, eu não pincelei nem 5% de tudo que tem nessa série, acho que não falei nem muito sobre o primeiro capítulo! Carbono Alterado é uma daquelas séries que justificam a fama da Netflix de um lugar feito para maratonas. Eu assisti os 10 episódios em 4 dias, sendo que, nesse meio tempo, eu precisei parar para o meu pai ver La Casa de Papel (sim, estou vendo a série da moda e quando acabar de ver toda a segunda temporada falo dela aqui), que a gente também vê pelo corte da Netflix, resumindo o balaio: daria para ver a série, tranquilamente em uns 2 dias, sem notar ou sentir.


Tudo foi muito bem construído na série, principalmente os personagens. Takeshi Kovacs é interpretado por dois atores, nos dias atuais, e na maior parte da série, quem lhe dá vida é Joel Kinnaman (de Esquadrão Suicida e Robocop) que faz um excelente trabalho em dar corpo (e que corpo!) e expressão ao cínico ex milita. Às vezes ele é focado, às vezes só canalha, às vezes só louco e às vezes ele é tudo isso ao mesmo tempo e o ator entrega todos os momentos muito bem. Já no passado, em sua casca original, Takeshi é interpretado por Will Yun Lee, que oferece ao público um Takeshi mais sério e focado, e ao mesmo tempo encantado pelos ideais de Quellcrist Falconer (Renée Elise Goldsberry), a líder dos Emissários. As personagens femininas ganharam um destaque, que segundo verifiquei, foram melhor exploradas do que no texto original, ou seja, no livro de Richard K. Morgan, Quellcrist, Kristin Ortega (Martha Higareda) e outras mulheres da trama não foram tão exploradas quanto na série, de fato, elas são mais de ajuda a Takeshi que personagens masculinos, talvez isso se dê pela showrunner ser mulher, Laeta Kalogridis, e sim, a série usa e abusa do fato de ser para maiores de 18 anos, com muita violência e nudez e algumas achei bem gratuita.


Isso sem falar que a trama é arrebatadora, mas conseguiu, mesmo sendo super pesada, ter momentos leves, principalmente quando aparecia a inteligência artificial que é o gerente do hotel onde Kovacs mora. Poe, o gerente, é a representação de Edgar Allan Poe, o poeta gótico inglês que é obcecado pela morte e aqui na série, o nosso Poe é obcecado pela vida e só essa ironia já vale uma palma! Outra coisa que me agradou muito na série foi a parte visual. Sombrio e ao mesmo tempo com muitas cores e muita informação para passar uma terra superpopulosa e ao mesmo tempo com grandes diferenças sociais envolvidas. Mas o que me levou mesmo para ver a série foi a premissa de uma investigação policial nesse futuro confuso e isso foi perfeito! Não aconteceu capítulos de enrolação, mesmo aqueles que não estavam diretamente ligados ao assassinato do Matusa, serviu para algo na trama principal e apesar da conclusão meio obvia, foi aceitável e me agradou.


Se veremos mais de Carbono Alterado no futuro? Não sabemos, até o momento a Netflix não anunciou uma segunda temporada, apesar de a série ter sido bem recebida pela crítica. Entretanto, para que ela estreasse em fevereiro desse ano, a série levou dois anos de produção e é atualmente a série mais cara da Netflix! Caso tenha uma segunda temporada, que provavelmente vai seguir o livro dois, ela vai levar, pelo menos, uns dois anos para sair do papel, assim como aconteceu com a primeira temporada. A boa notícia é que se você ainda não viu a primeira, pode ver sem medo, afinal, Kalogridis conseguiu criar uma trama que se resolve em uma só temporada, mas deixou um fio condutor para a sequência. 


E se você ainda não percebeu pelo fim dessa resenha (?), eu recomendo que assistam Carbono  Alterado o quanto antes. Os fãs de ficção cientifica vão ficar satisfeitos, os fãs de suspense policial vão ficar satisfeitos, os fãs de uma boa trama politica e moral vão ficar satisfeitos, fãs de livros vão ficar curiosos para conhecer o livro que inspirou a série e que foi publicado no Brasil pela Bertrand (para comprar o livro você pode clicar aqui) então, quem puder, corre na sua lista da Netflix é coloca na lista de maratonas e boa série!

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5 comentários:

  1. Oi, Talita.

    Imaginaria que essa tecnologia inovadora implementada pelos alienígenas, pode ter os seus prós e contras, dependendo de como a mesma é usada.

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  2. Olá Tali!!!
    Adorei a dica!!!
    Confesso q em um passado AN(Antes de Netflix), já fui "aloka das séries"...lançavam um Cap, eu já baixava com legenda...mas como minhas séries mais q favoritas, chegaram ao fim e encontrei um novo amor nos livros, parei com as séries!!! Nem tenho Netflix (não me julguem), mas no momento, tenho tanto livro pra ler, q não me vejo mais maratonando séries, ou esperando temporadas!!! Maaasss, como "nunca diga nunca", já vou deixar anotado aqui, essa série show!!! E vou passar pras amigas, viciadas em Netflix kkkkkkk
    Bjs :-*

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  3. Oi Tali, mulher acho que tô com "ressaca" pra séries, pode isso?! rsrs... não tô conseguindo focar em nenhuma, tô tentando assistir a série da moda La casa de papel, mas não sei... ainda não me pegou, tô vendo devagar e esperando que algum episódio me tire desse limbo. Sobre a série do post, eu vi o piloto, tem ação e mistério mas ainda não me empolguei pra continuar, contudo teu post me deu uma animada e vou voltar e continuar assistindo os episódios mais a frente ;)

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  4. Olá Talita!
    Tenho lido mto sobre a série e sobre o livro, para a adaptação ouve algumas mudanças né? Eu acho que não vou conseguir ler o livro então qro tentar acompanhar a série pq estou bastante curiosa pra conhecer, espero curtir.
    Bjs!

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  5. Oi Talita,
    Já coloquei a série na minha lista, gosto bastante quando tem essa pegada distópica, já o livro infelizmente ainda não tive vontade de ler.
    Vi vários elogios as atuações, como não conheço quase nenhum dos atores, terei que assistir para ter uma opinião.
    Já estou curiosa para saber mais sobre esse assassinato e seus motivos.
    Beijos

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