sexta-feira, 5 de julho de 2019

:: Resenha 503 :: "Até o Fim", Harlan Coben


Sinopse: O detetive Nap Dumas nunca mais foi o mesmo após o último ano do colégio, quando seu irmão Leo e a namorada, Diana, foram encontrados mortos nos trilhos da ferrovia. Além disso, Maura, o amor da vida de Nap, terminou com ele e desapareceu sem justificativa.
Por quinze anos, o detetive procurou pela ex-namorada e buscou a verdadeira razão por trás da morte do irmão. Agora, parece que finalmente há uma pista.
As digitais de Maura surgem no carro de um suposto assassino e Nap embarca em uma jornada por explicações, que apenas levam a mais perguntas: sobre a mulher que amava, os amigos de infância que pensava conhecer, a base militar próxima a sua antiga casa.
Em meio às investigações, Nap percebe que as mortes de Leo e Diana são ainda mais sombrias e sinistras do que ele ousava imaginar.

Já aconteceu de você terminar um livro e ficar alguns minutos olhando para o nada, sem saber o que pensar porque o final foi literalmente de explodir a cabeça? Não vou mentir, apesar de ser uma grande fã de romances policiais, e às vezes até mesmo acerto o final, na maioria das vezes eu sempre fico surpresa com alguma revelação, ou até mesmo com o final em si. Mas eu nunca me senti tão perdida, e no bom sentido, quanto quando cheguei nos últimos capítulos de Até o Fim, e isso, porque eu já fiquei em choque com A Grande Ilusão e Volta para Casa. O que podemos afirmar sobre isso? Que Harlan Coben é um gênio!

Em Até o Fim vamos conhecer Napoleon “Nap” Dumas, detetive em Westbridge, uma cidade no subúrbio de Nova Jersey. O lugar tem aquele típico ar de cidade tranquila, os vizinhos se conhecem, casas sem cerca e lendas urbanas. Uma dessas lendas é sobre a base militar que ficava na cidade que servia como porta misseis, coisa comum em algumas cidades do interior americano. Bom, com o tempo, o governo desativou tais bases, algumas viraram praças, outras parques, mas a de Westbridge continuou cercada de mistérios, com segurança reforçada e isso poderia não ser nada de mais.

"O passado não morre simplesmente. Seja lá o que aconteceu naquela base ainda assombra o lugar. É isso que a gente sente às vezes quando visita um sítio arqueológico, quando entra num velho casarão, ou quando está sozinho num bosque como este. Os ecos vão ficando cada vez mais fracos, cada vez mais longe, mas nunca somem totalmente."

Mas para Nap essa base vai ganhar um novo significado. Acontece que Nap tinha um irmão gêmeo que morreu há 15 anos, a versão oficial era a que o Leo e a sua namorada, Diana, estavam alcoolizados e, ao brincar na linha do trem, não conseguiram pular dos trilhos a tempo e foram atropelados. Nap não acredita nisso, em parte porque a sua ex namorada, a Maura, desapareceu no mesmo dia em que seu irmão morreu.

"Nesse caso vou procurá-lo em casa ou onde quer que seja. Talvez não o encontre em lugar nenhum. Talvez ele se recuse a falar comigo. Assim é a vida de um detetive. A gente segue adiante, mesmo sabendo que tudo pode resultar numa grande perda de tempo e de energia."

Agora, anos depois, as digitais de Maura apareceram na cena de um crime. Um policial foi assassinado no melhor estilo de execução e o assassino soube como não deixar rastros, só que, além das digitais da sua ex, que ele não tinha notícias por 15 anos, a vítima era um ex colega de escola e pertencia ao mesmo clube que o Leo e a Maura, um clube que investigava a tal base. A partir daqui, o Nap tem certeza que tudo está ligado e, mesmo com tantas pessoas queridas a ele, dizendo que ele deveria deixar essa história no passado, ele não vai desistir até descobrir a verdade sobre o que aconteceu com o seu irmão.

"Que venham as consequências. Não estou nem aí para os aspectos éticos ou legais de tudo isso."

Obviamente, não vou falar muito mais sobre o livro, acredite que essa minha introdução, não traçou nem 10% de toda a trama elaborada que o Harlan desenvolve e é aqui que desenhamos a linha da genialidade dele. Não é só um livro com um mistério a ser desvendado, existe todo um jogo psicológico que ele faz com o leitor, sobre o que estamos percebendo da trama, e no fim, quando a sua cabeça explode e você fica encarando o silêncio do seu quarto tentando entender como não viu aquilo, existe também a certeza que todos os fatos estavam lá, a gente simplesmente não leu, ou como o próprio Nap diz, não quis ler. Falando em Nap, que personagem é esse minha gente! Rivaliza com o Myron Bolitar no meu coração de fã dos detetives do Harlan. Ele é sarcástico, inteligente, teimoso, tem uma moral um tanto duvidosa e ao mesmo tempo é charmoso, ele seduz o leitor e como ele não só é o protagonista, mas como o narrador da história, a gente acaba bem envolvido.

"É isso que fazemos, todos nós: registramos aquilo que se encaixa na nossa narrativa e descartamos o que não encaixa."

Falando sobre narração, Harlan usa um inteligente recurso nesse livro. Nap tem a mania de “conversar” com o seu irmão Leo e é através dessas conversas dele que vamos vendo o desenrolar da trama, por isso, acabamos tendo uma visão bem parcial de tudo, porque estamos sempre vendo o lado de Nap. É um livro inteligente, você até consegue começar ele de forma lenta, saboreando, mas lá pela metade começa a comer o livro desesperadamente (isso é normal quando se lê Harlan Coben) e definitivamente tem um enredo que te leva a pensar, não somente ler, mas a entrar na história. Não deixem de ler e fiquem ligados que alguém bem querido faz uma participação na história.

Nome: Até o Fim
Autor: Harlan Coben
ISBN-13: 9788580419382
ISBN-10: 8580419387
Ano: 2019
Páginas: 272
Editora: Arqueiro
Compre aqui: Amazon
Classificação: 

Sobre o autor: 

Harlan Coben foi o primeiro autor a vencer os três prêmios mais prestigiados da literatura policial nos EUA, o Edgar Award, o Shamus Award e o Anthony Award, encontrando-se atualmente traduzido em cerca de 37 línguas e contando com mais de 20 milhões de exemplares vendidos. A crítica, desde o New York Times, ao Wall Street Journal ou ao Le Monde, tem-lhe dispensado as mais elogiosas referências.

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Um comentário:

  1. Oi :D

    "Até o fim" foi meu primeiro contato com o autor. Eu gostei da trama e de todo o enredo, mas em alguns momentos senti falta de alguns aspectos, principalmente no personagem. De qualquer forma, achei um bom livro e quero ler mais obras do autor.

    Já estou seguindo seu blog para acompanhar as próximas resenhas <3
    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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